{livro} Bela Maldade – Rebecca James

BELA_MALDADE_1314741604BInstigante. Essa é a palavra que pode definir perfeitamente o livro “Bela Maldade” da australiana Rebecca James.

Antes de mais nada, vale acrescentar que, apesar de ser vendido como um thriller psicológico (e o livro realmente possui alguns elementos que o classificariam como tal como a clássica vitima lidando com um “adversário” insano), “Bela Maldade” é um grandiosíssimo drama.

A premissa é bem simples: Katherine é uma jovem de dezessete anos que após passar por uma grande tragédia, decide recomeçar em uma nova cidade. Ainda se sentindo culpada pelo fato que dilacerou sua família, Katherine tenta viver de maneira tranquila e isolada até que conhece a encantadora Alice. Envolvida pela simpatia e o carisma da nova amiga, Katherine se permite viver outra vez. A intensidade da amizade, entretanto, revela um lado sombrio de Alice, e Katherine passa a se questionar se ela é realmente tão boa quanto parece.

De forma inteligente, Rebecca conduz a narrativa usando três tempos lineares, o passado (os fatos que levaram a fatídica tragédia), o presente (o inicio da amizade com Alice) e o “futuro” (os fatos posteriores a esses dois acontecimentos). Os mistérios apresentado ao longo da trama não são tão difíceis de desvendar, entretanto, o desenrolar de toda a história prende o leitor do inicio ao fim. A amizade insana de Katherine e Alice toma rumos completamente inesperados e o leitor se sente completamente imerso em meio a esse turbilhão de acontecimentos.

Os personagens são muito bem construídos e o fato da autora não se ater aos típicos clichês de personagens adolescentes, é um grande ponto positivo.

“Bela Maldade” é o tipo de livro em que devemos falar o mínimo possível, afinal de contas, a própria experiência do leitor com a história dará conta de revelar o quão interessante e bem formulada a trama é. Obviamente, não é o meu livro favorito da vida e nem o melhor thriller psicológico do mundo (até mesmo porque, como eu disse anteriormente, ele não pode ser classificado somente dessa maneira), mas é uma história interessante, um livro que com toda certeza instigará o leitor a continuar sua leitura. É impossível não se envolver com a densa trajetória de Katherine.

Título Original: Beautiful Malice | Autora: Rebecca James | Editora: Intrínseca | Páginas: 304 |  Ano de Lançamento: 2011.

{livro & filme} Simplesmente Acontece

3

“Simplesmente Acontece” tinha absolutamente tudo para ser mais uma comédia romântica clichê. Mas com o tom e a narrativa certa, a história criada por Cecilia Ahern é capaz de despertar uma gama de emoções a qualquer um que entre em contato com ela.

Li o livro, que foi relançado no ano passado pela Novo Conceito, no comecinho de 2015 e desde então aguardava ansiosamente pelo lançamento do filme (que nos EUA estreou em outubro de 2014, mas aqui no Brasil só chegou março desse ano…). Ontem, finalmente assisti ao filme e por conta disso, decidi escrever um pouquinho sobre as minhas impressões quanto ao livro e obviamente a sua fofa adaptação cinematográfica.

Mas vamos por partes. “Simplesmente Acontece” conta a história de Rosie e Alex, dois grande amigos de infância (amigos meeesmo) que desde sempre compartilharam absolutamente tudo, menos os verdadeiros sentimentos que desde muito cedo, passaram a sentir pelo outro. Na verdade, apesar de todos já terem percebido que eles nasceram para ser um casal, os dois não conseguem “admitir” que sentem algo muito além de um mero amor fraternal. Obviamente o tempo passa, eles se separam, quando Alex se muda com a família, mas através dos anos e dos turbilhões de acontecimentos da adolescência,  conseguem manter a amizade firme e forte. No fim das contas, os dois acabam aprendendo a viver sem a companhia do outro, e a medida que o tempo passa e as vidas deles começam a seguir rumos completamente distintos, Rosie e Alex finalmente percebem que pode haver algo a mais ali. O problema é que o destino parece gostar de se divertir e por incrível que pareça, um casal que tem tudo para dar certo, simplesmente não conseguem ficar juntos!

***

SIMPLESMENTE_ACONTECE_1408644221BSobre o livro: “Simplesmente Acontece” é um romance epistolar. Ou seja, toda a narrativa nos é contada através de cartas, bilhetes, e-mails e mensagens. Confesso que apesar de ter lido poucos livros deste gênero, sou apaixonada por esse tipo de narrativa. É extremamente instigante descobrir como se desenrolaram os encontros e desencontros dos protagonistas através da própria escrita deles, endereçada não só um ao outro, mas a outros personagens que acabam servindo como grande intermediários nessa grande conexão entre o casal protagonista.

Outro ponto interessante é que a autora, conseguiu criar uma linha do tempo condizente com os meios de comunicação mais utilizados na época em que a história se passa, já que o livro acompanha Rosie e Alex da infância até a vida adulta. E apesar de grande (448 páginas) o livro, justamente pelo tipo de narrativa que apresenta, flui de uma maneira tão natural que é muito difícil não terminá-lo em pouquíssimo tempo. (Confesso que ao terminar, foi inevitável não sentir um “gostinho de quero mais”) .

No início, a história me lembrou “Um Dia” do David Nicholls, que eu nem preciso dizer que é um dos meus livros favoritos da vida. Mas à medida em que avançamos a leitura, fica bem claro que apesar da mesma premissa (dois amigos que se apaixonam) os livros seguem rumos completamente diferentes. O que só reforça a ideia de que qualquer história pode ser contada e recontada sem parecer igual, pelo simples fato de que há “n” maneiras de narrar o mesmo fato.

“Simplesmente Acontece” é um livro leve, romântico, divertido e extremamente simples. Como o próprio nome sugere, a vida acontece para cada um dos protagonistas e é justamente esse cotidiano repleto de acasos e desencontros que fazem a história de Alex e Rosie ser tão apaixonante! Sem dúvidas, uma leitura mais do que recomendada!

***

051042Sobre o filme: a adaptação cinematográfica segue a mesma linha “intimista” do livro, mas obviamente com algumas modificações aqui e acolá. Não sou nenhuma especialista em cinema, então me sinto um pouco tímida em falar sobre temas técnicos, mas preciso confessar que a fotografia do filme me encheu os olhos, assim como a trilha sonora que é um caso a parte.

Quanto a escolha dos atores, não tive nenhuma dificuldade em aceitar Lily Collins e Sam Claffin nos papéis principais. Aliás, acho que ambos conseguiram transmitir a essência de ambos os personagens (não que haja algo muito profundo a ser representando), mas as características que eu vi em Alex e Rosie no livro, estavam ali, saltando da tela.

Acho uma perda de tempo classificar um livro melhor que o filme, ou vice-versa. Estamos cansados de saber que tratam-se de linguagens e em alguns casos, de públicos completamente diferentes. É obvio que o leitor se sente ultrajado quando uma obra que tanto aprecia é completamente deturpada nas telonas, mas o que acontece aqui, não chega a modificar absolutamente nada do humor e da leveza com que Cecilia Ahern nos apresentou á história do casal de amigos.

O grande barato do filme (e do livro também) não é se surpreender com a paixão de Alex e Rosie. Ela sempre esteve ali, mais do que presente. Mas é perceber o quanto algo que poderia ser tão fácil, acaba se tornando algo difícil de ser alcançado. Ou melhor, o quanto a vida e as escolhas que nós mesmos fazemos, atrapalha ou retarda alguns acontecimentos e obviamente muda completamente o curso de tudo aquilo que parecia tão certo.

***

Como eu disse no começo do texto, tanto o filme, quanto o livro despertam uma gama de emoções nos expectadores/leitores. Não espere reviravoltas mirabolantes, reflexões profundas e personagens intrinsecamente complexos, mas prepare-se para rir, chorar, torcer e até mesmo se irritar com o belo e enrolado relacionamento de Alex e Rosie!

Ficha Técnica

{livro} Autora: Cecilia Ahern | Editora: Novo Conceito | Páginas: 448 | Título Original: Love, Rosie | Ano de Lançamento: 2014

{filme} Direção: Christian Ditter | Roteiro: Juliette Towridi | Duração: 102 minutos | Elenco: Lily Collins, Sam Claffin, Suki Waterhouse, Christian Cooke, Jaime Winstone, Tamsin Egerton | Título Original: Love, Rosie | Ano de Lançamento: 2014

Leituras de Fevereiro!

Depois de um looongo período sem falar das minhas leituras, resolvi correr atrás do prejuízo e voltar a contar um pouquinho mais sobre a minha vida literária. Lógico que não vai dar de recapitular tudo, mas aos pouquinhos pretendo voltar a fazer as minhas resenhas (que nada verdade são mais impressões de leitura que qualquer outra coisa).

Por enquanto, decidi fazer um apanhado geral e contar um pouquinho das minhas leituras no mês de fevereiro. Ao todo, foram cinco leituras e eu confesso que estou muito feliz. Afinal de contas, fevereiro já é curtinho por natureza e como se não bastasse teve feriadão de Carnaval, volta as aulas e muitas outras coisas… Mas enfim. Vamos as leituras:

MENTIROSOS_1410223052BMentirosos – E. Lockhart

Editora Seguinte | 272 páginas | Sinopse

Finalmente li o livro mais falado dos últimos tempos! E confesso que apesar de todo o falatório em torno dele, não me surpreendi nem um pouco com a grande surpresa do final da história. Sim, eu descobri por alto o tal segredo no meio do livro e acredito que isso tenha anulado o choque que muitos leitores sentiram ao se deparar com a verdade por trás da família Sinclair. Mas de modo geral, o considero um livro maravilhoso. E obviamente o recomendo. É uma leitura rápida, instigante e muito bem pensada. A narrativa do livro é um pouco diferente do que estamos acostumados e confesso que isso me deixou confusa nos primeiros capítulos, mas a medida em que entrei no ritmo da história isso se tornou imprescindível para a leitura. Mentirosos não teria a metade do seu charme se não possuísse tal narrativa. E o mais legal de tudo: o tal segredo do “verão dos 15” sempre esteve lá. O segredo está escrito nas entrelinhas de toda a história!

OS_TRES_1397689771BOs Três – Sarah Lotz

Editora Arqueiro | 400 páginas | Sinopse

Que livro INCRÍVEL! Há muito tempo eu não lia algo tão denso e ao mesmo tempo tão bizarro! A começar pela edição maravilhosa da Editora Arqueiro e a narrativa fantástica criada por Sarah Lotz. Os três é um livro dentro de um livro e isso fez toda a diferença. A sensação de que estamos lendo algo real é gritante e ao mesmo tempo apavorante, pois a medida em que avançamos a leitura coisas muito esquisitas e inexplicáveis começam a acontecer. Aliás, inexplicável é a palavra desse livro. Não espere um final redondinho, com respostas e muita felicidade. O último capitulo é o ápice da atmosfera densa criada durante toda a narrativa. Para falar a verdade nem consigo explicar o que esse livro realmente é. Apesar dos momentos creepy, ele não chega a ser de terror e nem de suspense. É um mistério, mas um mistério diferente de tudo que eu já havia lido. Só lendo para saber. Uma leitura mais do que recomendada!

UMA_LONGA_JORNADA_1408315645BUma Longa Jornada – Nicholas Sparks

Editora Arqueiro | 288 páginas | Sinopse

E depois de das leituras densas, a minha TBR Jar pareceu entender o recado e sorteou um livrinho fofo do Nicholas Sparks. Para falar a verdade eu tenho sim, alguns títulos preferidos dentre as obras do autor, mas Uma Longa Jornada foi mais do mesmo. Não chegou a ser uma leitura ruim, mas também não foi algo arrebatador sabe? Foi uma leitura ok. Aliás, acho até, que se o livro fosse focado somente em um dos casais (Ira e Ruth) a história seria muito mais interessante e emocionante. Recomendo obviamente para quem gosta de romance. Mas não espere lágrimas e suspiros. Na minha humilde opinião, Nicholas já fez melhor!

.

.

.

SEJAMOS_TODOS_FEMINISTAS_1411848602BSejamos Todos Feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

Editora Companhia das Letras | 36 páginas | Sinopse

Por favor leiam esse livro! Ok. Nem é um livro. Na verdade Sejamos Todos Feministas é uma espécie de adaptação de uma palestra que a autora deu num evento chamado TEDx Euston, mas não deixem de ler! No livro (vou chamar de livro), ela conta um pouquinho das experiências pessoais dela atrelando todas as situações com o feminismo. Ela fala sobre os amigos, a carreira, o próprio feminismo e mostra o que é ser mulher nos dias de hoje, e principalmente, o que é ser uma mulher feminista nos dias de hoje. A narrativa é bem fluída, bem tranquila, li em questão de 30 minutos (ou nem isso) e sinceramente, fiquei com um gostinho de quero mais. Por isso, acabei indo um pouquinho atrás das coisas que a Chimamanda já fez e descobri que ela tem alguns títulos bem interessantes e  que eu, obviamente, pretendo ler!

.

.

A_DISTANCIA_ENTRE_NOS_1228172001BA Distância Entre Nós – Thrity Umrigar

Editora Nova Fronteira | 336 páginas | Sinopse

E para finalizar o mês, li outro livro fantástico! E sabe o que é pior? Demorei séculos para ler essa preciosidade. A distância entre nós está a tanto tempo na minha estante que eu fico até envergonhada de dizer que eu já poderia ter lido ele! Confesso que apesar de simpatizar com a sinopse, sempre tive medo de detestar tudo. Não havia algo que realmente chamasse a atenção, até que um dia, depois de ler tantas coisas sobre a Índia, percebi que ainda faltava ler esse livro. E sim, eu poderia ficar aqui me repetindo, mas A Distância Entre Nós é um livro muito bonito. E o sabe o que é melhor?  A narrativa é a responsável por essa beleza. A história das duas protagonistas tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais, poderia ser só mais uma, mas Thrity Umrigar soube criar algo digno de reflexão. A história de Bhima e Sera pode se passar na longínqua India, mas poderia ser uma história sobre duas mulheres brasileiras, tamanha similaridade de conflitos, diferenças sociais e é claro o papel da mulher que infelizmente (como a Chimamanda deixou bem claro no livrinho acima) ainda é basicamente o mesmo em qualquer parte do mundo. Recomendo!

E é isso! Essas foram as minhas leituras do mês de fevereiro! Talvez em março eu volte com um resumão do mês, e se Deus quiser, novas resenhas também vão surgir por aí!

Sobre 50 tons de cinza

50-Tons-de-Cinza-cartaz-11nov2014-01

Sim eu estou ansiosa pela estreia de 50 tons de cinza. E não, não é porque sou fã do casalzinho protagonista. Confesso que lá pelos idos de 2012, quando os livros de E. L James fizeram um sucesso estrondoso, li o trio que compõe a serie com uma rapidez instantânea. Naquela época, eu não sabia definir muito bem o meu sentimento por aquela história. Para falar a verdade eu era uma colegial confusa que ainda não sabia muito bem o real papel da mulher na sociedade.

Você deve estar pensando, mas Thati, só se passaram dois anos e meio… sim só se passaram dois anos e meio, mas de lá para cá muita coisa aconteceu. Conheci os privilégios e as responsabilidades da maioridade, entrei numa faculdade de Psicologia e me descobri completamente envolta com o feminismo. Quando tinha 16/17 anos eu já tinha certos conceitos feministas na minha mente, mas eu ainda não sabia realmente o que era aquele movimento e porque eu, uma garota branca, magra e de classe média deveria me engajar por aquela causa.

As coisas começaram a mudar quando comecei a ler mais sobre feminismo, quando descobri Simone de Beauvoir e tive uma aula incrivelmente esclarecedora sobre gênero. Lógico que eu ainda não sou expert no assunto, mas a cada dia que passa sinto que dou um passinho a mais na vontade de lutar pelo direito da mulher. Tanto que, mesmo na 5ª fase da graduação, já tenho plena certeza que o meu TCC será algo relacionando psicologia e feminismo.

Mas tá. O que tudo isso tem haver com 50 tons de cinza? Eu respondo: Quando alguém diz que e a história criada por E.L James é incrivelmente moderna, uma espécie de conto de fadas que revolucionou a forma como as mulheres se veem e se comportam dentro de seus relacionamento, estamos tendo um sério problema!

Eu também acreditava que 50 tons era só um livro de entretenimento e que era bobagem criticar tanto uma coisinha tão sem importância. Realmente, o livro é de entretenimento, mas a partir do momento que jovens meninas, assim como eu em 2012, entram em contato com uma história que traz um conceito de homem ideal fixada num cara possessivo, desrespeitoso e machista, esse não é um simples livrinho. O problema não é ler 50 tons de cinza. O problema é ler e acreditar que o homem ideal tem que ser exatamente como Christian Grey. Tem que ser aquele cara poderoso, confiante, que te influencia a fazer coisas que você não quer e que te trata como um objeto, uma verdadeira propriedade, dando a simples desculpa de que ele tem traumas mal resolvidos de infância! (Oh coitadinho! #SQN). O problema é acreditar que para “encontrar o amor” você precisa ser doce, meiga e submissa.

50 tons de cinza não é moderno. 50 tons de cinza não é sobre BDSM. 50 tons de cinza é uma história velha e clichê travestida de romance moderno! Sabe aqueles livrinhos de banca com nome de personagens? Como “Sabrina”, “Bianca” e “Julia”? Pois é… 50 tons de cinza é simplesmente mais uma dessas histórias que esfregam na cara da sociedade que as mulheres precisam encontrar um macho dominador para se sentirem completas! Ou seja, para se sentirem MULHERES! E caso você ainda tenha dúvidas sobre BDSM, dê uma lida nesse texto da Jarid Arraes onde ela explica exatamente o que essa sigla significa e dê uma atenção ainda maior para o tópico onde ela relaciona a prática com a ideia de machismo que está intrinsecamente arraigada a história de 50 tons de Cinza.

Enfim. Vou assistir 50 tons de cinza simplesmente para ter certeza de tudo que eu levantei nesse texto. E claramente, para comparar a Thatiane de 2012 com a Thatiane de 2015. Vale lembrar que eu não tenho NADA contra as “polêmicas” cenas de sexo, caso alguém pretenda levar a discussão para esse lado… Muito pelo contrário, eu acho interessante que uma obra de literatura exponha uma coisa tão natural do ser humano, mas não apoio uma história se agarrar a isso de forma misógina e machista como em 50 tons de cinza. Sinceramente, me assusta perceber quantas pessoas (mulheres, principalmente) se sentiram tocadas e mudadas por essa história!

Li até a página 100 e… “Ame o que é Seu” – Emily Giffin

liateapagina100e

Criada pelo blog “Eu leio, eu conto” a tag “Li até a página 100 e…” consiste basicamente em compartilhar sua opinião sobre o livro que você está lendo no momento. Para isso, basta chegar a centésima página do dito cujo e responder a algumas perguntinhas gerais sobre ele.

AME_O_QUE_E_SEU_1331648950BLeitura atual: “Ame o que é Seu” – Emily Giffin

Primeira frase da página 100:
”A manhã de segunda-feira chegou voando, como costuma acontecer quando não se sabe ao certo como agir”

Do que se trata o livro:
O livro conta a história de Ellen Grahan, uma fotógrafa na casa dos 30 anos que após um reencontro com um amor do passado, começa a questionar suas escolhas e seus valores. O grande problema, é que nada na vida de Ellen está fora do lugar. Vivendo o ápice de sua carreira profissional e um casamento perfeito com um marido amoroso e que claramente a ama, a protagonista se vê num turbilhão de sentimentos que a fazem questionar se a vida que tem hoje é mesmo aquela que sonhara a anos.

O que está achando até agora?
Eu estou adorando. Tudo bem que eu sou suspeita para falar de Emily Giffin, mas até o momento ela não tem me decepcionado.

O que está achando da personagem principal?
Ellen é uma mulher comum. Dedicada a carreira e conciliando seu trabalho com a vida em família, ela poderia ser qualquer uma de nós. É muito fácil se identificar com ela e com os dilemas dela. Sabe aquela personagem que você se irrita por tomar tal atitude, mas minutos depois percebe que no lugar dela talvez estaria fazendo a mesma coisa? Ellen é exatamente isso.

Melhor quote até agora:

O que me faltava aprender, no entanto, era que as coisas raramente são tão perfeitas e certinhas como aquela historinha de brilhar os olhos para se assistir sentado no sofá

Vai continuar lendo?
Com certeza! Estou ansiosa para saber aonde as dúvidas de Ellen vão parar. Aliás, não consigo fazer a minima ideia de como tudo vai acabar. Como sempre Emily cria narrativas tão reais que elas realmente parecem a caixinha de surpresas que é a vida real. Tudo pode acontecer!

Última frase da página:
“Ele segue em direção à Park Avenue e, antes de perdê-lo de vista, deduzi, por sua silhueta, que ele caminhava alegre, balançando a pasta ao lado do corpo”

Taylor Swift Book Tag

Já disse que eu amo tags? Vi essa no canal da Melina Souza e como envolve música e livros (duas coisas que eu adoro e vivo falando aqui no blog) resolvi responder. As regras são bem simples: basta relacionar um livro com a temática de algumas músicas da cantora Taylor Swift.

1. We Are Never Ever Getting Back Together: um livro que você amava muito, mas aí ele piorou e você teve que cortar relações com ele.

CONVERGENTE_1394113467B“Convergente” da Verônica Roth. Sabe aquela série que você amava com todas as forças e que vai te decepcionando aos pouquinhos? O terceiro livro foi o ponto alto da minha decepção, e apesar de no geral não ter me arrependido de ter lido a trilogia, ficou aquele gostinho amargo e uma sensação de que que eu nunca mais vou sentir vontade de voltar a embarcar na jornada de Tris e cia… (ainda pretendo fazer uma resenha expondo todos os meus sentimentos por esse último livro…)

2. Red: Um livro com a capa vermelha.

FAHRENHEIT_451_1416102423136SK1416102423B“Fahrenheit 451” do Ray Bradburry. Simplesmente um clássico. Li o livro há algumas semanas e pretendo em breve falar um pouquinho sobre a genialidade por trás dessa história que vai muito além de uma mera distopia… Sem falar nessa edição da Biblioteca Azul que está uma graça. Capa vermelha e linda!

3. The Best Day: Um livro que te deixa nostálgico.

SOUVENIR_1239189953B“Souvenir” da Therese Fowler: Sempre dou um jeitinho de colocar esse livro nas tags que respondo, mas assim que li a palavra nostalgia foi “Souvenir” que surgiu na minha mente. O motivo? Bem além de ser um livro lindo e que eu super recomendo, o momento em que eu li foi extremamente especial para mim. Sabe quando você percebe que tudo na sua vida está exatamente onde deveria estar? É impossível não relacionar o livro com o momento eu que eu estava vivendo.

4. Love Story: Um livro que tenha um amor proibido

aultimacartadeamor“A Última Carta de Amor” da Jojo Moyes. Já tive a oportunidade de falar sobre esse livro várias vezes no blog, já que ele foi uma das melhores leituras do ano passado. Jennifer e “B” são um dos meus casais favoritos e é obvio que como em todo bom romance (daqueles que nos fazem suspirar) a história dos dois é proibida e repleta de obstáculos. Simplesmente lindo❤

5. I Knew You Were Trouble: Um livro que você não conseguiu evitar e se “apaixonou” pelo bad boy/vilão da história.

alistanegra“A Lista Negra” da Jennifer Brown. Sinceramente não consegui me lembrar de nenhum vilão pelo qual eu tenha me “apaixonado”… (o único que eu amo com todas as minhas forças é o Klaus… e isso desde quando ele realmente era o grande vilão de TVD….), mas aí me lembrei de “A Lista Negra” e que o namorado da protagonista, Nick Levil, é simplesmente o grande vilão da história, afinal de contas ele simplesmente abriu fogo contra vários colegas de escola. Não diria que me apaixonei perdidamente por ele, mas a medida que adentramos na história, conhecemos quem realmente o Nick era e no fim das contas é impossível não pensar que você poderia ser a namorada daquele cara…

6. Innocent: Um livro que alguém estragou o final dele para você (spoiler).

SE_EU_FICAR_1404309893B“Se eu Ficar” da Gayle Forman. O spoiler surgiu sem querer, mas quando terminei minha leitura, já sabia qual tinha sido a escolha de Mia. O bom é que isso não alterou em nada a minha “avaliação” geral do livro. Querendo ou não o final já estava “implícito” durante boa parte da narrativa, então, não foi nada chocante saber o que acontecia na última página de “Se Eu Ficar”.

7. Everything Has Changed: Um personagem de um livro que passou por uma grande mudança.

JARDIM_DE_INVERNO_1363383891BAnya, “Jardim de Inverno” da Kristin Hannah. Díficil falar das mudanças dessa personagem sem dar o grande spoiler do livro, mas a medida que avançamos a leitura, percebemos o quanto o tempo e as experiências trasnformaram a mãe das protagonistas numa mulher completamente diferente daquilo que ela foi na juventude. A vida a endureceu. E a maneira como Kristin Hannah narra esses acontecimentos, faz deste livro um das melhores leituras do ano.

8. You Belong With Me: O lançamento mais esperado por você no momento.

CAPA-The-Heir“A Herdeira” da Kiera Cass. Esperei ansiosamente por “A Escolha” e me decepcionei com algumas escolhas que a autora fez para “fechar” a trilogia da “Seleção”. Mas apesar das ressalvas, o gostinho de “quero mais” ficou em todos os leitores da série (algo que eu até cheguei a comentar na resenha sobre o livro). A pontinha por um quarto livro estava ali, e eu logicamente fiquei louca de ansiedade quando descobri que Kiera Cass não nos obrigou a abandonar Illéa… ou seja, “A Herdeira” é o livro que eu estou aguardando com todas as minhas forças… Chega logo 2015!!!

9. Forever and Always: Um casal favorito de um livro.

UM_DIA_1372965839BEmma e Dexter, “Um Dia” do David Nicholls. Eu poderia escolher milhares de casais fofos, mas Emma e Dexter são simplesmente o casal. Como não amar esses dois? Como não amar a história dos dois? Aliás, como não amar esse livro? Em “Um Dia” tudo parece tão natural que Emma e Dexter poderiam ser qualquer um de nós. Acho que esse é justamente, o meu encanto com eles. Em “Um Dia” tudo é tão comum, que é impossível não se identificar e se encantar com absolutamente tudo, principalmente o casal protagonista!

10. Come Back, Be Here: Um livro que você não gosta de emprestar por não querer sentir saudades dele.

A_CASA_DAS_ORQUIDEAS_1364863659B“A Casa das Orquídeas” da Lucinda Riley. Difícil escolher um único livro porque eu simplesmente sinto falta de todos eles…mas, escolhendo um, diria que eu morreria se alguém me pedisse “A Casa das Orquídeas” emprestado. Vocês não tem noção do meu nível de apego com essa história…. e da quantidade de vezes que eu já reli. Esse é aquele livro que tem que ficar sempre por perto, porque vez ou outra eu simplesmente preciso ler tudo novamente!

Músicas Bônus:

11. Teardrops On My Guitar: Um livro que te fez chorar muito.

...“A Culpa é Das Estrelas” do John Green. Óbvio né. Chorei lendo o livro, chorei no cinema e vou chorar sempre que reler a história ou rever o filme. E não é só pelo final, mas é por tudo. O livro é tão emocional que é simplesmente impossível não se sensibilizar com uma partezinha  que seja.

…………………………………………………………………………….

12. Shake It Off: Um livro que você ama muito, e que você não está nem aí para os haters dele.

O_MELHOR_DE_MIM_1410039016BQualquer livro do Nicholas Sparks. Eu gosto e ponto final. Falem o que quiser, mas eu não consigo desgostar dos romances do tio Nicholas! O cara simplesmente tem o dom de sensibilizar qualquer um que tenha uma pitadinha de “apreço” por uma boa história de amor. Tudo bem, existem alguns livros dele que não são lá aquelas coisas, mas como ignorar “Diário de Uma Paixão”, “Um Amor para Recordar”, “O Melhor de Mim”, “Querido John”“A Última Música” e tantas outros livros incríveis?

E vocês? Quais livros encaixariam nas músicas da Taylor?

Vale lembrar que a tag foi criada pelo canal The Book Life e adaptada pela Katy do Katytastic.😉

Resenha: Dias de Chuva e Tempestade – Nancy Pickard

DIAS_DE_CHUVA_E_TEMPESTADE_1360445251BTítulo Original: The Scent of Rain and Lightning
Ano de Lançamento: 2012
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 240
Nota: 5/5

Não tinha grandes perspectivas para “Dias de chuva e tempestade”. Para falar a verdade, em outras ocasiões peguei o livro para ler, mas por algum motivo acabei desistindo sem ler uma página sequer.

Sabe quando a sinopse até te atrai, mas você não se sente instigado a começar a leitura? Era exatamente assim que eu me sentia, até finalmente dar uma chance ao livro de Nancy Pickard.

Devorei as 240 páginas em um dia. A escrita de Nancy é tão fluída e envolvente que eu simplesmente não conseguia parar de ler e pensar sobre a história milimetricamente intricada e surpreendente.

(…) A felicidade era frágil, preciosa e suspeita. Depois da ascensão vem a queda

“Dias de Chuva e Tempestade” conta a história de Jody Linder, uma professora primária que aos três anos de idade perdeu os pais num crime que chocou os moradores de uma pacata cidadezinha no interior do Kansas: seu pai, Hugh Jay, foi assassinado a tiros dentro da própria casa, enquanto sua mãe, a bela Laurie Linder desapareceu misteriosamente na mesma noite.

Vinte e três anos depois, o crime volta a tona, quando Jody descobre que Billy Crosby, o homem que foi condenado pelo assassinato de seu pai, foi solto e está prestes a voltar para a cidade. O responsável pela reviravolta do caso, é o filho de Billy, o jovem advogado Collin, que está determinado a provar a inocência do pai

Nesse momento, a narrativa retoma ao passado, mais precisamente no ano de 1986, para mostrar os acontecimentos que culminaram na fatídica noite do crime. Obviamente, é durante o flashback que o leitor tem a oportunidade de conhecer os personagens e formular suas teorias sobre o verdadeiro autor do crime, já que a todo instante, apesar da fama de “bad boy” é impossível acreditar que Billy tenha sido o responsável pela morte do primogênito dos Linder.

Confesso que todas as minhas teorias foram por água abaixo e isso comprova o quanto a história criada por Nancy Pickard é sagaz e surpreendente (ou que as minhas habilidades de investigadora são péssimas).

O corpo dele jazia sobre o carpete ensanguentado. Anabelle berrou o nome do filho várias vezes enquanto seu coração virava uma pedra

“Dias de Chuva e Tempestade” é um livro incrível. Fazendo um verdadeiro mix de suspense, drama e romance policial, a história instiga o leitor a continuar a leitura a todo momento. Até o fim, Nancy Pickard sustenta com propriedade cada um dos mistérios, bem como os personagens, que possuem vozes fortes e personalidades muito bem delineadas ao longo da trama.

Sem dúvidas, um dos melhores thrillers que eu já tive a oportunidade de ler. Para quem curte o gênero e adora criar teorias, “Dias de Chuva e Tempestade” é uma excelente pedida!

Primeiramente gostaria de pedir desculpas pelo sumiço. Nos últimos meses muita coisa aconteceu e boa parte desses acontecimentos provocaram uma grande mudança em vários aspectos da minha vida. Espero que essa mudança possa refletir de maneira positiva aqui no blog que sempre será o meu cantinho favorito para expor todos os meus pensamentos.

Confesso que ainda não sei muito bem o que vai mudar por aqui, mas enquanto termino de organizar as minhas ideias, sigo com as resenhas, tags e listinhas habituais.

Att.

Thatiane

A Escolha – Kiera Cass [Livro 3]

A_ESCOLHA_1391716774PTítulo Original: The One {The Selection #3}
Ano de Lançamento: 2014
Editora: Seguinte
Número de Páginas: 352
Nota: 3/5

 Não contém spoilers dos volumes anteriores

Depois de muita espera, eis o “gran finale” da distopia de Kiera Cass. E como eu esperei por isso. Os dois primeiros volumes da trilogia, foram sem dúvidas, os meus dois queridinhos no ano passado e por conta disso, nada mais natural que eu estivesse ansiosa e cheia de expectativas pelo desfecho da história de America, Maxon e companhia.

Em “A Escolha” America, a candidata mais improvável para a seleção, ainda vive o sonho de ser a possível escolhida do príncipe Maxon. Obviamente ainda há muitos percalços a percorrer. Neste último volume da trilogia, acontece de tudo um pouco: dos romances mal resolvidos da protagonista que apesar de não parecer tão dividida quanto antes, ainda enfrenta alguns problemas no triângulo com Maxon e Aspen, até um enfoque maior nas questões políticas até então pouco exploradas nos volumes anteriores.

“Não importa o que você pensa do seu caráter. Só importa o que você faz com ele.

Outro ponto interessante do livro foi a verdadeira humanização das outras participantes que restaram na seleção. America se aproxima de cada uma delas e aos poucos o leitor também chega um pouquinho mais perto das garotas e entende algumas motivações por trás de suas ações e personalidades.

Mas nem tudo são flores. Apesar do final satisfatório e condizente com o rumo que a trama acabou tomando, tenho muitas ressalvas quanto à maneira como a autora conduziu o desfecho. O primeiro grande problema é a maneira corrida em que toda a história parece se desenrolar. Desde o primeiro capítulo o leitor tem a sensação que há uma “corrida contra o tempo” e que o final da protagonista precisa ser contado da maneira mais rápida possível. Essa sensação, aliás, fica ainda maior à medida que nos aproximamos do final da história

Por falar nos últimos momentos aliás, diria que fiquei profundamente decepcionada com as soluções de todos os problemas apresentados ao longo dessa história (não só do livro em si mais de toda a trilogia). Além da verdadeira “correria” para amarrar as pontas soltas, Kiera Cass, recorreu as situações mais clichês possíveis para terminar de vez o terceiro volume da série que encantou tantos leitores pelo mundo.

Sei que as coisas nem sempre acontecerão como desejamos e que precisaremos nos esforçar para nunca esquecer os motivos da nossa escolha

Tudo bem, eu sei que se trata de um livro com triângulo amoroso e romancezinho clichê, mas custava desenvolver um pouquinho melhor as motivações por trás das ações do trio principal? Sem contar, as mortes desnecessárias e a falta de uma real finalização para o lado político da história (e a própria relação de America e Maxon com o rei Clarkson que até agora é uma verdadeira incógnita para mim).

De modo geral, a grosso modo diria que a trilogia é realmente encantadora. Entretanto, leia a história com as perspectivas certas. A trilogia “A Seleção” não é uma distopia para se pensar sobre o mundo, mas um livro de romance que traz como adicional, algumas questões bem superficiais sobre política e sociedade.

Sim eu gosto muito da série, mas ao ler “A Escolha” fiquei com um gostinho amargo da decepção e uma pontinha de esperança que esse não seja realmente o final tudo. Afinal de contas, apesar de tudo, a história ainda renderia mais um livro e que dessa vez seria lido sem a menor perspectiva, com a ideia de que tudo não passa de mais um romance fofo com uma clássica protagonista que desperta as sensações mais díspares no leitor.

Os livros da trilogia:
1 – “A Seleção| Resenha
2 – “A Elite” | Resenha
3 – “A Escolha”

Resenha: Persuasão – Jane Austen

RAZAO_E_SENSIBILIDADE_N_ORGULHO_E_PRECON_1288622755PTítulo Original: Persuasion
Ano de Lançamento: 1818 (edição original)
Editora: Martin Claret
Número de Páginas: 160
Nota: 5/5

 Jane Austen é sem dúvidas, uma das autoras mais celebradas da história. Mesmo possuindo uma obra literária pequena, a inglesa sobrevive até hoje com romances que permeiam a mente de milhares de leitores ao redor do mundo.

Meu primeiro contato com Austen, foi no ensino médio, quando numa das minhas habituais visitas à biblioteca da escola, me deparei com um exemplar do famosíssimo “Orgulho e Preconceito” (que na ocasião acabou sendo “devorado” numa única tarde). Desde então, a autora passou a ter um lugarzinho de destaque em minhas prateleiras e é claro que quando me deparei com essa coletânea que reúne os três principais trabalhos de Jane Austen, fiquei absolutamente maluca.

A edição não é um grande primor. É bem simples até, mas nada disso atrapalha a verdadeira viagem que é se embrenhar na escrita de Jane Austen. Sendo assim, como já havia lido as duas primeiras histórias fui direto à “Persuasão” e mais uma vez me encantei com a sensibilidade com que a britânica contava histórias simples sobre a vida cotidiana da aristocracia britânica do início do século XIX.

Em “Persuasão” a trama gira em torno de Anne Elliot, uma mulher beirando aos trinta anos de idade que no inicio da adolescência perdeu a mãe e apesar de continuar vivendo ao lado de seu pai, teve praticamente toda a criação nas mãos de Lady Russell, uma grande amiga da família por quem Anne nutre um grande carinho e admiração. Desde o comecinho da história, fica muito claro que Anne é completamente diferente de todos os outros Elliot. Seu pai, Walter, assim como a sua irmã mais velha, a odiosa Elizabeth, mostram-se pessoas fúteis, mesquinhas e egocêntricas que passam boa parte do tempo preocupados com a sua “reputação” perante a alta sociedade (a família, aliás, passa por uma séria crise financeira e precisa abrir mão de muitos luxos, dentre eles a grande mansão em que viviam numa área rural da Inglaterra)

Anne, ao contrário, é uma mulher sensata e prudente. No passado, com medo de se arriscar, Anne acabou cedendo ao “poder de persuasão” de Lady Russell e colocando um ponto final num noivado com o grande amor de sua vida: o jovem capitão Wentworth, que na época era apenas um garoto humilde e sem perspectivas de um futuro promissor. No fim das contas, poucos ficaram sabendo da história, mas o romance nunca saiu da cabeça da protagonista e apesar dos anos terem passado, o próprio tempo e a maturidade fazem com que ela reflita sobre a sua escolha e sinta uma pontada de arrependimento pelo que fez.

“Estava persuadida de que por maiores que fossem as desvantagens da desaprovação familiar e por pior que fosse a incerteza acerca da profissão dele e todos aqueles prováveis medos, atrasos e decepções, ela teria sido uma mulher mais feliz se mantivesse o noivado do que era tendo-o sacrificado.”

O grande conflito da história surge, obviamente, quando há um reencontro de Anne e Wentworth. Mas engana-se quem pensa que logo no primeiro momento há uma explosão de raiva ou paixão reprimida. Ao seu estilo simples e comedido, Jane Austen constrói pouco a pouco uma reaproximação entre o ex-casal que passa a frequentar o mesmo circulo social onde ninguém faz a mínima ideia dessa grande história do passado.

Anne passa boa parte da narrativa como uma expectadora que redescobre seus sentimentos por Wentworth e ao mesmo tempo precisa guardá-los em seu intimo enquanto o assiste cortejar outras jovens e ser praticamente venerado por todos que o cercam, já que além de ser um homem muito bonito, Wentworth transformou-se em sinônimo de dinheiro e prestígio dentro da marinha britânica.

No fim das contas, o leitor torce por um grande reviravolta e aproximações maiores entre o ex-casal que passa boa parte da trama se “suportando” em nome das boas maneiras. Ambos tentam o tempo inteiro esconder a paixão que ainda sentem pelo outro e isso fica cada vez mais evidente na maneira como Anne parece querer sair do seu casulo de mulher comedida e no modo como o capitão Wentworth responde à cada uma das ações da protagonista.

“Ele não podia perdoá-la, mas não podia ser insensível. Embora a condenasse pelo passado e a julgasse com profunda e injusta mágoa, embora sem nenhum interesse por ela e embora começasse a gostar de outra, ele não conseguia vê-la sofrer sem desejar reconfortá-la. Era o que restava de um velho sentimento

“Persuasão” é sem dúvidas, mais uma grande obra prima da esplendorosa Jane Austen. O último romance da autora britânica, é sem dúvidas, um excelente exemplo de como uma bela história de amor deve ser. Misturando o seu habitual retrato das classes mais abastadas de sua época, com uma mocinha interessante e um lindo romance, Austen nos entrega uma história maravilhosa sobre a espera, o arrependimento e acima de tudo, o perdão.

Pode até não ser uma das leituras mais fáceis.Mas pouco a pouco a escrita de Austen fisga o leitor e num dado momento da história é impossível querer largar o livro e parar de torcer por um final feliz entre a fofa protagonista e o apaixonante capitão Frederick Wentworth. Recomendadíssimo.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 410 outros seguidores