Sabe aqueles filmes que você até se interessa em assistir mas por uma razão ou outra acaba deixando-o para trás? Pois é, foi exatamente  isso que aconteceu com Invictus.

Na noite de ontem lá estava eu “passeando” por diversos canais de TV e na expectativa de achar algo interessante dei de cara com os créditos iniciais do 32º filme do diretor Clint Eastwood. Não tive dúvidas de que aquele seria o grande momento em que eu finalmente assistiria aquela história – que diga-se de passagem é absolutamente maravilhosa.

Tudo acontece logo depois da eleição de Nelson Mandela para a presidência da África do Sul que recém havia se “libertado” do regime apartheid, onde negros e brancos viviam literalmente separados e por isso ainda enfrentavam grandes diferenças não só na esfera social, mas também econômica e política.

Sabiamente, Mandela busca unir o povo através do esporte já que a África do Sul receberia em 1995 a Copa do Mundo de Rugby e o time que os representaria nesta disputa, os chamados springbok estavam totalmente desmotivados e com falta de apoio, visto que o rugby era tido como um esporte de “brancos” e os negros sendo maioria, e ainda ressentidos com tudo que viveram no apartheid de certa forma “boicotavam” o time.

Madiba (como os negros chamavam Mandela) resolve então chamar o líder dos springbok e através do poema Invictus o encoraja a lutar pela vitória. Resultado: o time até então desacreditado chega a final da Copa do Mundo e com grandes chances de vencer os favoritos ao título.

Entre outras palavras, mesmo que o rugby seja o pano de fundo central é encantador saber que no mundo existem pessoas como Mandela, que passou 27 anos preso e quando finalmente consegue sua liberdade lidera de uma forma tão igual e justa o país que o aprisionou, que o desacreditou que escreveu em manchetes de jornais frases como “Ele pode até vencer uma eleição, mas poderá governar um país?”. Mesmo que os problemas da África do Sul não fossem (e ainda não estão) totalmente resolvidos, Madiba usou o maior símbolo da união entre povos distintos: o esporte – para unificar uma nação totalmente estilhaçada.

Vale ressaltar também que Morgan Freeman é perfeito para o papel de Mandela. Fiquei abismada com a “paz de espirito”, a calma e a naturalidade com que ele interpretou o mítico Madiba. Meu muso Matt Damon estava irreconhecível mas também estava ótimo na pele do capitão dos springbok, François Pienaar, apesar de eu sentir que faltou em alguns momentos certa “empolgação” para liderar e inspirar aquele time tão desacreditado.

Invictus é um filme para todas as idades, é uma bela lição de vida e uma ótima fonte de inspiração para aqueles que estão passando por alguma situação onde a esperança passa a ser a única solução.

Para finalizar um trecho do forte poema do britânico William Ernest Henley que deu nome ao filme:  

“Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma”.

Anúncios