Marian Keyes continua me surpreendendo com histórias divertidas e extremamente reais. Minha última aquisição foi o livro “Sushi” que conta a história de três mulheres completamente diferentes: Lisa Edwards, uma editora de revistas inglesa que sofre um baque após descobrir que ao invés de ganhar sua tão sonhada promoção e finalmente dirigir uma revista famosa em Nova York, teria que se mudar para a cinzenta Dublin para começar uma nova publicação do zero, Ashling Kennedy, uma garota simples que quer a todo custo arranjar um bom emprego, e… um namorado! E Clodagh Kelly que apesar de viver confortavelmente em uma bela casa, ser casada com o bem sucedido Dylan e mãe de duas crianças lindas e saudáveis, não se sente completa com a vida que leva.

A narrativa é toda em terceira pessoa, e conduzida de uma maneira tão leve e fluída que você realmente não confunde as histórias em momento algum. Lisa é a típica mulher moderna, preocupada com a beleza e obcecada por uma carreira bem sucedida – confesso que no começo fiquei um pouco irritada com as atitudes da personagem, mas depois, conhecendo ela melhor passei a gostar muito dela. Das protagonistas sem sombra de dúvidas ela é a mais batalhadora e determinada, e talvez por toda esse status que se acostumou a ter em seu difícil trabalho como editora de revistas a personagem aprendeu a se mostrar durona na frente dos outros, mas bastante vulnerável quando sozinha, principalmente quando tem que lidar com o pedido de divórcio do grande amor de sua vida – o fotografo de moda Oliver que é a versão masculina dela!

Ashling é minha favorita, em alguns momentos inocente demais, mas uma fofa. Ela é o tipo de pessoa que está sempre disposta a ajudar os outros, sejam seus amigos ou um rapaz que vive na rua. No inicio ela consegue um emprego como assistente de Lisa na nova revista, mas por conta desse seu jeito “pau para toda a obra” acaba ganhando a antipatia de Lisa e de seu chefe, Jack Divino Devine que insiste em implicar a todo momento com a garota. É do circulo de Ashling que surgem outros personagens bem interessantes como os seus vizinhos Joy e Ted e o seu futuro namorado, o comediante Marcus Valentine.

Por fim temos Clodagh que me irritou do começo ao fim. Ela tinha a vida perfeita, e eu realmente não conseguia entender porque diabos ela ainda reclamava! A personagem é amiga de infância de Ashling, mas nem um pouco parecida com ela! No fim das contas Clodagh não passa de uma garota mimada, egoísta e sem um pingo de respeito próprio. O fato é que mesmo eu a odiando mortalmente, Clodagh é uma personagem extremamente necessária para o desenvolvimento de toda a narrativa, o motivo obviamente eu não posso contar!

O livro é grande (típico da Marian), mas nem por isso difícil de ser lido. É aquele tipo de história que prende sua atenção a todo momento, e por mais bobinho que possa parecer é extremamente realista que logo entende-se que sua moral é basicamente a busca pela felicidade – não importa se você é implacável como a Lisa, gentil como a Ashling, egoísta como a Clodagh ou simplesmente FOFO como Jack Devine já que á no fim das contas tudo que nós realmente desejamos na vida: é simplesmente ser feliz!

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