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Tenho assistido muitos filmes nos meus raros “períodos de folga” e dentre uma sessão e outra, destaco o excelente Flores do Oriente. Dirigido pelo chinês Zhang Yimou, e baseado no livro 13 Flowers Of Nanjing, o longa conta a história de um inimaginável grupo formado por prostitutas, meninas de um colégio católico e um agente funerário norte-americano que se encontram refugiados em uma Catedral da cidade chinesa de Nanquim – que na época (1937) encontrava-se completamente devastada após um ataque dos militares japoneses.

A história é ficcional, mas os eventos são verdadeiros. Nós ocidentais por diversas questões costumamos não sabermos muito sobre a história oriental, mas a verdade é que um dos episódios mais marcantes da história do Japão e da China foi uma guerra travada entre as duas nações logo no finzinho do século XIX. O ápice desse conflito foi a tomada da então capital chinesa, Nanquim, pelas tropas militares japonesas que de forma cruel invadiram a cidade num episódio que devido a tamanha brutalidade ficou conhecido como “Estupro de Nanquim” (não só pela cidade em si, mas pela violência com que muitas mulheres foram mortas).

E é exatamente a partir desse ponto que a história de Flores do Oriente começa a ser contada. Logo nos minutos iniciais somos apresentados ao agente funerário norte-americano John Miller que com o objetivo de preparar o funeral do padre residente da Catedral de Winchester, foge do ataque em meio aos destroços numa sequência fotograficamente deslumbrante. Ao chegar ao local pretendido, John que é recebido por George – uma espécie de coroinha – não encontra o corpo do tal padre e muito menos pagamento pelo seu “serviço”, ele então decide ficar no local enquanto usufrui do “conforto” no qual o falecido clérigo vivia. No mesmo ambiente vive um grupo de meninas que estudava no convento da Igreja e 14 prostitutas que se refugiaram neste ambiente considerado neutro.

No começo,muito aquém da guerra, há uma série de conflitos internos entre os personagens centrais, principalmente o contraste entre as prostitutas e as meninas do convento. Essa distinção é por muitas vezes sútil, mas também direta como numa cena onde uma das garotinhas “sai no tapa” com uma das famosas mulheres da rua Qin Huai River. No meio disso tudo, John que se comporta como um bêbado maluco acaba mudando de postura quando percebe que tem a “missão” de proteger aquelas pessoas, afinal de contas  numa situação como aquela as diferenças em algum momento precisariam ser ultrapassadas, já que naquele caos havia um objetivo em comum: sobreviver.

O filme contém cenas fortes, o que realmente não poderia ser diferente, afinal há crianças num filme de guerra. No papel de John temos o sempre excelente Christian Bale, mas é preciso destacar todo o elenco que não ficaram devendo em nada em suas atuações, tanto a belíssima Ni Ni que vive umas das prostituas e o interesse amoroso de Bale quanto Tong Dawei que numa rápida participação desempenha função fundamental na trama , apresentam atuações maravilhosas, assim como as meninas do convento e o garoto que dá vida ao menino George.

Definitivamente não posso descrever o quanto gostei desse filme, caso contrário revelaria muitas surpresas contidas no enredo, mas é válido registrar que realmente vale muito a penas assisti-lo. Li em algumas críticas que o filme de certo modo se “perde” ao impor situações clichês como “o herói americano salvando o dia” – de fato,  o personagem de Bale é decisivo na condução de toda a trama, mas nesse caso não é uma venda gratuita do típico patriotismo estadunidense. Em Flores do Oriente nada acontece a toa, John como é dito em uma das cenas é uma espécie de chave para a libertação daquelas pessoas – um rosto ocidental no meio de uma guerra oriental é como uma passagem para a salvação e isso fica evidente em todo o filme, já que os japoneses não estão interessados em comprar briga com o ocidente. Os clichês ao meu ver não comprometem em nada a qualidade do filme, ainda mais este, afinal de contas John não foi o único herói dessa história…

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