O fim do mundo está próximo. Quantas vezes ouvimos esta já tão banalizada frase somente este ano? O fato é que não importa no que você realmente acredita, a industria cinematográfica está aí e prontinha para explorar o tema que para não dizer de outra forma está “na boca do povo”.

É seguindo essa prerrogativa apocalíptica que Procura-se um amigo para o fim do mundo inicia sua história. Mas não espere  efeitos especiais impressionantes, monumentos famosos indo abaixo ou associações secretas que há anos buscavam um meio de escapar do caos. Ainda assim, não se engane pelo título romântico, o filme não é, puramente uma comédia fofa, é um drama minimalista.

Parece confuso, mas não é.

A história inicia com o anuncio de que o asteroide Matilda atingirá a Terra em três semanas, não havendo mais possibilidades de salvação. A notícia é suficiente para espalhar o pânico geral, mas uma coisa interessante neste filme é que não há aquele clima tenso de  longas sobre apocalipse ou catástrofe naturais, é algo tão singelo que por mais que as pessoas decidam “curtir a vida (ou pelo menos o pouco tempo que resta) adoidado ainda existem outros como o protagonista Dodge que mesmo depois de ter sido abandonado pela esposa, continua tentando viver sua vida normalmente. Em um dado momento ele acaba “conhecendo” a vizinha Penny que depois de brigar com o namorado perde o avião que a levaria para Londres onde decidiu passar o resto de seus dias ao lado da família.

Se não fossem as circunstâncias, Dodge e Penny que são basicamente o oposto um do outro jamais teriam se falado, mas ao passar um pouco de tempo juntos acabam, digamos assim, descobrindo que apesar de personalidades tão opostas possuem algo em comum: a solidão. Ambos querem aproveitar os últimos momentos para reaver pendências do passado e rever, nem que seja pela ultima vez, todas aquelas pessoas que amam (no caso de Dodge, um antigo amor do passado). Sendo assim, em meio ao caos urbano os dois partem uma uma road trip que oscila em momentos de comédia e drama.

Procura-se um amigo para o fim do mundo, é um filme que retrata o fim do mundo de uma maneira diferente, por muitas vezes profundamente poética, mas que algumas vezes nos brinda com cenas engraçadinhas e momentos “comédia romântica”. O caos é intercalado com passagens singelas como o som dos discos que Penny carrega por toda a viagem, bem como o romantismo da personagem contrastado com a expressão distante de Dodge que de certa forma anuncia o pior.

Os atores logicamente contribuíram muito para a qualidade do longa. A química entre Steve Carell e Keira Knightley é de fato, surpreendente e sem sombra de dúvidas um dos pontos altos do filme. Ambos, aliás, estão ótimos em seus papeis, afinal de contas é sempre interessante ver Carell em um papel “sério”, bem como Knightley que cresce a cada nova produção.

Procura-se um amigo para o fim do mundo é uma grata surpresa, que apesar de não apresentar um trabalho 100% impecável, nos presenteia com uma trama diferente e extremamente interessante, que sem dúvidas, vale muito a pena ser conferida!

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