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Autor: Laura Lee Guhrke
Título Original: She’s No Princess
Ano de Lançamento: 2008
Editora: Essência
Número de Páginas: 344
Sinopse: Filha ilegítima de um príncipe e de uma famosa cortesã, Lucia viveu confinada em escolas e conventos durante a maior da vida. Mas, essas experiências não a impediram de provocar um escândalo depois do outro. Exasperado, o príncipe Cesare de Bolgheri decide que a filha deveria se casar o quanto antes. Para arranjar o casamento, Sir Ian Moore, o mais respeitado diplomata britânico, é chamado às pressas. De volta à Inglaterra, ele promete a si mesmo que achará um marido para Lucia, mas logo vê que sua experiência de diplomata talvez não seja suficiente para quebrar a resistência da moça. Apesar de não faltarem candidatos, nenhum está à altura do espírito e da paixão de Lucia. Trata-se Uma história que surpreende o leitor do início ao fim.

Luce, pensou ele, a palavra italiana para luz. Era o que a definia. Fora isso que sempre o atraíra para ela, da mesma forma que uma planta em uma janela insiste em se virar na direção do sol. Ele precisava dela, precisava tanto dela que estivera disposto a jogar fora tudo o mais que sempre tivera importância para ele.”

Lucia Valenti é a filha ilegítima de um príncipe italiano e uma famosa cortesã francesa que passou os vinte e dois anos de sua existência confinada em conventos e escolas. Com uma personalidade forte e um espírito bastante passional, Lucia aprendeu desde cedo várias formas de driblar a austeridade desses “esconderijos” para simplesmente desobedecer todas as regras e causar escândalos na conservadora sociedade europeia.

Em uma dessas fugas, Lucia leva a irmã mais nova, Elena, mas acaba sendo pega pelos guardas do castelo de seu pai. Cansado de tantos escândalos envolvendo Lucia, o Príncipe decide legitimá-la como sua filha e apresentá-la a sociedade onde ela poderá finalmente arranjar um marido que passará a ser o responsável por qualquer erro que a “garota problema” cometa.

Lógico que tudo não seria tão simples. Sendo Lucia uma jovem inconsequente e com um passado “escandaloso” para os padrões da época, o Príncipe convoca o melhor diplomata da Europa, o lindo competente Ian Moore que é retirado às pressas de uma missão em Anatólia para num prazo de seis semanas intermediar o casamento de Lucia com algum nobre inglês.

Ian, obviamente não gosta nada de ideia de se tornar um “casamenteiro” e Lucia por sua vez não admite a ideia de se casar com um homem sem estar apaixonada pelo mesmo. Trava-se então um verdadeiro choque de personalidades já que Ian é o típico inglês: comedido, centrado e extremamente diplomático, o completo oposto de Lucia que é a personificação da mulher italiana: sedutora, teimosa e extremamente passional. Com tantas diferenças em jogo o diplomata e a princesa soltam “faíscas” desde o primeiro encontro, e não é preciso ser muito Sherlock para imaginar onde essa história toda vai acabar.

Muito mais que uma Princesa é um livro delicioso. Laura Lee Guhrke conduz a narrativa de seu romance histórico de uma maneira simples e ao mesmo tempo reveladora, já que desde as primeiras páginas fica claro que Lucia não é uma “depravada” como muitos imaginam, ela sofre com a falta de atenção do pai e a obrigação de ficar longe de sua querida mamma. Da mesma forma, Ian não é um homem de gelo como a própria protagonista imagina a primeira olhada. No fundo ele é tão passional quanto ela, mas por uma série de motivos e convenções aprendeu desde muito cedo a conter os seus instintos e tornar-se um homem respeitável aos olhos da sociedade da época.

Toda a relação de Lucia e Ian é construída pouco a pouco, e talvez por terem suas histórias aprofundadas, fica muito fácil torcer por um romance entre os dois. Aliás, a autora soube construir muito bem seus personagens. Lucia por exemplo, podia ficar condenada ao rotulo de italiana sangue quente, mas com maestria Laura a tornou uma heroína forte, decidida e nem pouco monótona. Acredito que a imagem do espartilho na capa do livro (linda por sinal) represente muito bem a série de regras e imposições que as mulheres sofriam na época. Elas estavam presas a regras de etiqueta, fala, vestimenta e comportamento, e isso nos leva novamente a Lucia que demonstrou ser suficientemente corajosa para correr atrás da felicidade (mesmo que isso renda bons escândalos que manchariam de vez a sua reputação).

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