Ben-Affleck-Argo

O ano é 1979. O Irã está em ebulição, após o antigo xá, Mohammad Reza Pahlavi pedir asilo político nos Estados Unidos, que haviam apoiado seu longo governo de opressão ao povo iraniano. Revoltados, inúmeros militantes islâmicos e estudantes exigem a extradição do ex-governante e no dia 4 do novembro invadem a embaixada norte-americana em Teerã, fazendo mais de 50 funcionários do local como reféns. Seis deles, entretanto, conseguem fugir minutos antes da invasão e se refugiam na casa do embaixador canadense.

Sabendo que se forem descobertos serão mortos, os seis diplomatas acobertados pelo embaixador do Canadá vivem sob sigilo por meses enquanto a CIA estuda meios de resgatá-los em segurança. É nesse momento que o especialista em “exfiltração” Tony Mendez entra em cena. Depois de ouvir inúmeros planos bizarros propõe um mais bizarro e mirabolante, mas de que alguma forma é o mais seguro e convincente: um filme falso, uma produção canadense de ficção-científica que com a ajuda de Hollywood e sob o comando de Tony estaria procurando locações no oriente médio. Os seis diplomatas seriam membros da sua equipe de filmagem e com identidades falsas que lhe davam a alcunha de cidadãos canadenses teriam “passe livre” para deixar o Irã.

É neste cenário político caótico que somos apresentados ao filme Argo. Dirigido e estrelado por Ben Affleck, o filme se mostrou uma grata surpresa não só nas bilheterias, mas nas premiações que reconheceram o talento e a competência do ator que num passado não muito distante foi alvo de piadas por filmes absurdamente vergonhosos, mas que agora, como diretor tem encontrado o sucesso e a dignidade novamente restaurados.

Confesso que a muito tempo estava ansiosa por este filme. Não só por todas a recomendações, mas pelo roteiro baseado em fatos reais que conta um pouco da história “recente” dos conflitos Oriente x EUA Ocidente e que de uma forma absurdamente mirabolante uniu o mundo de fantasia e narcisismo de Hollywood ao trabalho altamente arriscado e patriótico realizado pelo serviço secreto norte-americano.

Misturando uma série de “gêneros”, Argo possui momentos em que você aperta os dentes, prende a respiração e aperta as mãos na poltrona de tanta tensão, mas também gera momentos descontraídos com piadinhas típicas da caixinha mágica chamada Hollywood. Sem dúvidas um trabalho excepcional de Ben Affleck que definitivamente possui um talento gigantesco como diretor (não é a toa que em premiações como o Golden Globe desbancou nomes de peso como Quentin Tarantino e Steven Spielberg) e também como ator, já que o seu Tony Mendez foi interpretado com uma discrição muito acertada.

Lógico que não posso deixar de citar o elenco que fez jus a elogiadíssima produção. Alan ArkinJohn Goodman, Bryan Cranston e os seis rostinhos mais “desconhecidos” que deram vida aos diplomatas refugiados nos proporcionam momentos incrivelmente bons dentro da película e se antes, por pura simpatia a Affleck eu estava feliz por seu reconhecimento, agora depois de assistir ao filme, fiquei ainda mais feliz por suas vitórias e irritada com a Academia que seguindo sua burocracia autocrática deixou Argo de fora da categoria “Melhor Diretor”, o que possivelmente anula suas chances de vencer a de “Melhor Filme”….

P.S 1: A maquiagem e os figurinos desse filme também merecem aplausos já que o clima setentista/oitentista incrivelmente real de Argo deve-se em maioria a detalhes “técnicos” que muitas vezes não costumamos dar muita atenção

P.S 2: Steven Tyler gritando Dream On no trailer do filme ficou sensacional…

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