Nesse fim de semana, enquanto fuçava algumas músicas que tinha no meu computador, me deparei com o álbum Rockferry da galesa Duffy. Imediatamente me veio aquele sentimento de nostalgia e eu passei o domingo inteirinho ouvindo a voz anasalada da cantora, que na época foi preguiçosamente comparada com a saudosa Amy Winehouse.

Enquanto ouvia aquelas canções, me lembrei que existem tantos álbuns incríveis que muitas vezes deixamos de lado por inúmeras razões. Lembrei do quanto eu queria falar sobre esse debut maravilhoso de Duffy e simplesmente me veio a ideia de criar uma nova tag para o blog. Uma tag onde eu possa de vez em quando “desenterrar” álbuns e falar sobre uma das coisas que eu mais amo no mundo: a música.

duffyrockferry

Pois bem, Rockferry foi lançado em 2008. Como já disse anteriormente tratava-se do debut da cantora galesa Aimeé Duffy que já “prevendo” as comparações com Winehouse passou a ser chamada pelo sobrenome. Bom, é verdade que o estilo do álbum de estreia da loirinha muito lembra o soul ressuscitado pela saudosa Amy, mas acredito que as comparações não passaram de pura preguiça dos críticos musicais. Ambas bebem (ou bebiam) na fonte do soul-pop-retrô da década de 1960, mas basta ouvir cinco minutos de Rockferry para entender que as direções dos trabalhos das cantoras tomaram rumos completamente diferentes. Enquanto Amy seguia com letras “sacaninhas”, ironia e aquele baita vozeirão que faz uma tremenda falta, Duffy que também possui um incrível alcance vocal, segue uma linha mais fofa, doce e “abandonada” – uma espécie de Adele menos amargurada, talvez, mas ainda assim não gostaria de compara-la com a britânica mais bombante e talentosa do momento, porque essa já seria outra discussão.

O que temos aqui é um dos melhores álbuns dos últimos anos. Um retrô clean que nunca morre. Logo na primeira faixa do álbum também chamada Rockferry temos acordes iniciais que lembram os temas mais remotos da franquia James Bond, mas a baladinha não chega nem perto da incrível Warwick Avenue que sem dúvidas é uma das minhas faixas preferidas de todo o álbum. Um blues cool e sincero que poderia fazer parte de algum álbum da Norah Jones e chega a dar vontade de chorar só de olhar para o videoclipe onde a cantora parece realmente estar com o coração partido:

A terceira faixa, Serious, também é uma delícia. Confesso que não tenho muitos conhecimentos musicais, mas essa faixa realmente me lembra sainhas rodadas, laquês, jaqueta de couro e casais apaixonados deslizando na pista de dança. Ou seja, toda aquela aura idealizada das décadas de 1950 e 1960 estão nitidamente impressas nesta canção.

Steeping Stone, Syrup & Honey e Hanging On Too Long seguem a aura minimalista das primeiras faixas e embora não cheguem a empolgar, continuam nos dando aquele famoso sentimento “nostálgico”.

E então finalmente chegamos a Mercy – o grande sucesso disco. Como esquecer daquelas batidas tão cateterísticas e aquele refrão ecoando por todos os cantos? You got me begging you for mercy / why won’t you release me. Um pedido de misericórdia que é de longe a faixa mais conhecida e animadinha de Rockferry.

Uma enganação básica para voltar a calmaria de Delayed Devotion e Scared. Por fim, finalizando o fantástico debut temos Distant Dreamer  a décima faixa que ironicamente me passa uma enorme sensação de despedida. Uma despedida com chave de ouro, diga-se de passagem.

Infelizmente, o segundo álbum da cantora Endlessly não chegou perto do sucesso do álbum anterior. Uma pena, afinal Duffy manteve a sua linha retrô, mas de uma maneira mais colorida e “cinquentista”. A meu ver um excelente trabalho que embora não tenha chegado aos pés do debut possui canções extremamente boas… Mas isso já é matéria para um próximo post!

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