Nunca usei o blog para comentar o assunto que pretendo falar neste momento, mas minha indignação misturada ao amor que sinto por um esporte fez com que essa semana ficasse um pouco mais cinzenta do que deveria.

Sei que muitos não acompanham o tênis e pouco sabem sobre o esporte que apesar de ser um dos mais belos do mundo, é um dos mais cruéis que se possa imaginar. Mas a crueldade que tenho visto nos últimos dias não está nem um pouco relacionada à vida dura de um atleta que luta para estar entre os tops do esporte, e sim ao descaso visto em um torneio sediado aqui no Brasil, mas precisamente na cidade de São Paulo.

Recebendo atletas de alto nível e o astro Rafael Nadal que ensaia sua volta ao circuito mundial depois de meses longe das quadras por conta de um problema no joelho, o Brasil Open recebeu logo “de cara” duras criticas pela falta de estrutura das quadras e uma bola que “encolhe”. Muitos atletas como o argentino David Nalbadian não economizaram nas palavras: “Não tive nenhum tipo de sensação boa em quadra. È uma bola que diminui de tamanho com o decorrer dos games e vai piorando. Com a altitude de São Paulo, fica impossível controlar”. Outros foram mais cautelosos e até defenderam o torneio, mas acredito que quando você é um atleta, o mínimo que se espera é uma estrutura para jogar, ou acaso algum jogador de futebol não se sentiria “prejudicado” caso o gramado do campo estivesse em péssimas condições e a bola fosse ruim?

Lógico que o torneio não é nenhum Roland Garros, mas isso não justifica as falta de estrutura de um país que a essa altura do campeonato deveria estar investindo pesado em todos os esportes, afinal de contas, muito além da Copa do Mundo teremos uma Olimpíada daqui a três anos. Isso, no entanto, não é nenhuma novidade para nós , e mesmo sabendo que o esporte em geral não recebe sua devida atenção é ainda mais entristecedor constatar que a própria torcida brasileira deixa de dar apoio aos atletas locais.

A prova viva disso foi o ultimo jogo do brasileiro Thomaz Bellucci. O paulista que é o brasileiro mais bem classificado no ranking simples não fez sua melhor partida diante do italiano Filippo Volandri, mas ao sair do ginásio do Ibirapuera o rapaz foi vaiado pela torcida do seu próprio país! Será que é mesmo necessária tamanha hostilidade com um atleta da casa? Não interessa se lhe falta “carisma” ou se ele não se transformou no novo Guga como a maioria esperava, Bellucci é sim talentoso e se até Roger Federer já teve seus dias ruins, porque o rapaz não pode? Ou acaso vocês acham que ele não entrou em quadra determinado a ganhar? Me desculpem, mas dificilmente um atleta entra em quadra disposto a não lutar pela vitória, ainda mais se esse atleta for do tênis que querendo ou não é um dos esportes mais competitivos que eu já vi!

E o que é pior? A mesma torcida que vaiou o paulista foi capaz de aplaudir os erros cometidos por outro brasileiro numa partida contra Rafael Nadal. É bem verdade que esses aplausos vinham de menininhas que só estavam ali para apreciar a beleza do espanhol, e que no fim da partida João Souza recebeu devida saudação da torcida, mas a sensação que fica é que além do descaso com o esporte temos uma torcida que no alto de sua ignorância não sabe o quanto pode atrapalhar o psicológico de um atleta, ainda jogando em casa, onde querendo ou não a “pressão” se torna maior.

A torcida foi banal, e a imagem que fica é de que o Brasil não está preparado para receber grandes eventos esportivos. Não estou querendo entrar naquela velha discussão sobre o Brasil, confesso que já tive meus dias de rebeldia contra o país, mas infelizmente já está mais do que evidente a tamanha falta de respeito com o esporte em geral. E isso infelizmente, não vem apenas das autoridades que fazem o mínimo para investir nas centenas de atletas que possuímos, mas dos próprios brasileiros que precisam aprender a perder e a apoiar aqueles que vestem nossa camisa. Não é uma vaia ou um aplauso irônico que vai mudar as coisas. Pode parecer clichê, mas sabe aquele ditado que diz que a “união faz a força?” é exatamente isso que precisamos. Incentivo e acima de tudo educação deveriam ser as nossas palavras de honra.

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