...Autor: Tina Brown
Título Original: The Diana Chronicles
Ano de Lançamento: 2007
Editora: Ediouro
Número de Páginas: 400
Sinopse: A princesa Diana foi eleita recentemente como a pessoa mais conhecida do mundo. Esta é a sua biografia definitiva revelando os detalhes de sua vida, seu casamento com o Príncipe Charles, as desilusões amorosas, a sogra (Rainha da Inglaterra ), suas ações de caridade, a solidão, seus romances e o desfecho trágico.

Diana, segundo eles [família real] era simplesmente incapaz de lidar com a dupla realidade de ser uma celebridade internacional aos olhos de bilhões de pessoas, enquanto nos palácios e aposentos onde ela realmente passava a maior parte do tempo, era tratada como uma peça da engrenagem da máquina real. O fato de lutar contra essa dualidade mostrava a diferença entre nascer e crescer como um membro da realeza e tornar-se um, como se tivesse sido adotada”

Biografias costumam gerar grande curiosidade, mas ao mesmo tempo receio por parte dos leitores. Particularmente, gosto muito do gênero, mas costumo ser cautelosa quanto as minhas escolhas porque na minha humilde opinião uma boa biografia precisa ter duas características: fontes/autor confiável e uma narrativa envolvente.

Diana: Crônicas Íntimas, de fato preencheu meus “pré-requisitos”. A autora, Tina Brown, é uma jornalista inglesa que desde a década de 1980 possui grande influência na mídia especializada na Monarquia britânica e boa parte de suas fontes para o livro provém de outros grandes nomes do ramo e de algumas entrevistas que ela mesma fez com amigos ou pessoas que estiveram próximas a Princesa de Gales. Quanto a narrativa, não há o que reclamar. Em 22 capítulos extremamente completos, Brown no insere de uma maneira surpreendente na vida de uma das mulheres mais conhecidas e fascinantes do mundo.

Nascida Diana Spencer em uma família tradicional da Inglaterra, a loira mais fotografada do século XX cresceu cercada de castelos, títulos de nobreza e também muitas brigas, intrigas, mentiras e segredos. Filha de pais separados, Di, tinha pouco contato com a mãe que no processo de separação do Conde Spencer acabou perdendo a guarda dos quatro filhos do casal. Longe de uma figura materna que pudesse lhe dar bons conselhos, a futura Princesa de Gales, enfrentou problemas com a figura caricata da madrasta e criou uma espécie de mundo próprio onde um príncipe encantado a libertaria da torre que a fazia se sentir menosprezada diante da inteligência das irmãs e ignorada pelo pai cada vez mais distante.

Obviamente quando um verdadeiro príncipe apareceu em sua vida, Diana agarrou a oportunidade de realizar suas fantasias casando-se com ele. O que ela não sabia, entretanto, é que contos de fada não existem, e entrar para a realeza mais poderosa do mundo seria o mesmo que viver em uma rede de mentiras, traições e regras ainda maiores do que ela jamais havia enfrentado.

Ela se aferrara com tanta tenacidade aos seus sonhos que eles se transformaram em um ato inconsciente de vontade”

Diana é ainda hoje uma mulher intrigante. Vista como tímida e carismática pelo povo, transformou-se numa mulher exuberante, vingativa e ainda mais amada pelo mundo que se curvava diante de seu magnetismo. Ignorada pelo marido, idolatrada pelo súditos, Di, acabou enxergando o seu brilhante futuro de “Rainha da Inglaterra” como um enorme fardo.

Diana Crônicas Intimas é quase um diário secreto da princesa. Brown explora as diversas nuances de sua vida: Seu casamento fracassado, a sua difícil relação com a realeza, seu amor incondicional pelos filhos, seus problemas com a bulimia, o show de exposições na mídia e sua eterna busca pelo príncipe encantado…

Os chiliques de Diana, sua bulimia, todo o seu drama louco – havia um desejo furioso de repudiar não só seu presente de Windsor como o seu passado de Spencer. Todas as mentiras que havia engolido desde o momento que fora capaz de olhar faceiramente para a câmera de seu pai, a educação aristocrática que continuamente a convencia de que era burra, as gerações de belezas fitando-a lá de cima na galeria de retratos na propriedade da família em Althorp e lhe dizendo que devia ser agradável e indefesa, o casamento fraudulento de conto de fadas, tradições bolorentas engolidas à força e padrões contraditórios, todas as mulheres que não queria ser, sua mãe, sua avó, sua madrasta, ela própria antigamente, ruborizada, sugestionável, romântica – ela queria vomitar tudo isso, rasgar tudo, jogar numa fogueira. Esse era o significado de toda aquela gritaria, cortando-se, empanturrando-se e passando fome. Ela seria seu próprio Frankenstein, ninguém mais.”

Tina Brown nos entrega uma biografia definitiva que revela o que até a própria Diana parecia esquecer: por trás do mito da “Princesa do Povo”, havia um ser humano, alguém de carne e osso, uma mulher frágil e romântica que não podia ser eternamente a princesinha perfeita de um reino que não era nem um pouco encantado.

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