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Autor: Zeca Camargo
Título Original: De A-ha a U2 – Os Bastidores das Entrevistas do Mundo da Música
Ano de Lançamento: 2006
Editora: Globo
Número de Páginas: 471
Sinopse: De A-Ha a U2: os Bastidores das Entrevistas do Mundo da Música, livro com os bastidores de entrevistas que o jornalista e crítico musical Zeca Camargo realizou ao longo de sua carreira. Em 53 entrevistas, com alguns dos nomes mais importantes da música nacional e internacional, o leitor é introduzido no processo criativo de produção jornalística, acompanhando os bastidores, as aventuras e impressões do repórter.

 …Quando uso a palavra ‘magia’, não estou usando uma muleta fácil – estou falando de algo que não entendo, mas que me encanta. Um poder que esses caras, essas meninas, esses artistas todos têm e que, fazendo aqui um balanço rápido dessas conversas, nem eles mesmos sabem explicar o que é. É música, claro. Mas o que mais? Vale a pena perguntar? Melhor não procurar a resposta. È melhor sempre estar perdido em música”

Música. Quantas vezes eu já falei sobre isso? Sempre me considerei uma verdadeira amante de boa música, mas depois de ler “De A-ha a U2” meu conceito sobre o que é realmente estar “perdido em música” mudou completamente.

Bom, mas afinal sobre o que é esse livro? É exatamente sobre isso, música – ou melhor dizendo, da paixão de Zeca Camargo (que dispensa apresentações) por esse universo tão rico e instigante que pode nos tirar do ar mesmo que seja por poucos minutos.

Combinando momentos de sua carreira como jornalista e dando uma aula de como se portar em algumas situações extremas, Zeca nos convida a uma verdadeira viagem revelando os bastidores de 53 entrevistas com músicos nacionais e internacionais. Os capítulos não seguem uma ordem cronológica e a intenção é justamente essa: ler despretensiosamente, sem necessariamente seguir a lógica imposta pelo livro (um jeito legal é ler cada capitulo ao som da canção que o autor sugere na sessão “se você tiver que ouvir apenas uma música desse artista, ouça….”)

Confesso que cada entrevista era uma surpresa. Em alguns momentos me senti o próprio Zeca, esperando nove horas para falar com Courtney Love, vendo Britney Spears aos prantos no corredor de um hotel ou simplesmente sendo surpreendido por um tresloucado Mike Patton. Ainda assim o que realmente dá o tom musical ao livro, não são as entrevistas em si, mas umas pequenas sessões intituladas “Perdido em Música” onde Zeca conta em uma ou duas páginas uma história (ás vezes bem inusitada) de como conheceu determinada música, álbum ou artista – e ainda nos dá a dica de onde encontrar a “preciosidade” já que cada um desses momentos também acabam se tornando uma espécie de “nova descoberta musical” para o leitor.

Confesso que não tinha grandes expectativas, mas depois de ler tantas ficções, foi interessante gastar boas horas me divertindo com um livro que é em sua essência uma verdadeira veneração a música, seja ela qual for, já que como o próprio Zeca sugere em sua conclusão, música é um universo para se atirar no escuro.

Como curiosa e grande “cúmplice” na paixão por esse universo musical, foi um verdadeiro “choque” perceber que quando se trata de música, o divertido não é ficar preso apenas nos artistas que conhecemos, mas viajar e comprar CDs pela capa, se sentir atraído pelo diferente, não ter medo de “descongelar” nosso gosto musical, ficar literalmente “Perdido em música” – pelo menos é essa a moral que  eu vou levar pro resto da minha vida!

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