...

Nova York. Inicio da década de 1970. David Marks é um jovem herdeiro de um verdadeiro império imobiliário, que contrariando as pretensões de seu pai, quer se ver livre de todo o poder que os negócios de sua família representa. Para complicar ainda mais o seu frágil relacionamento com o pai, David se apaixona por Katie, uma jovem de origem humilde com quem acaba se casando e construindo uma vida simples e pacata na pequena cidade de Vermont.

Até aí você deve estar pensando que o filme se trata de mais um romance “água com açúcar”, mas não se deixe enganar pelas aparências. Vencido pela insistência do pai, David abandona a vida tranquila no interior e retorna a Nova York onde assume os negócios da família. Katie passa a ter uma vida de luxo e finalmente consegue realizar o sonho de estudar medicina, mas embora pareça ter a vida perfeita, se vê cada vez mais distante do marido, que atormentado pela difícil relação com o pai e um grande trauma de infância, acaba se revelando um homem perturbado, agressivo, controlador e por muitas vezes psicótico.

O que antes era uma bela história de amor acaba se tornando um casamento arruinado por um fim trágico. Katie desaparece sem deixar vestígios, e David passa a ser o principal suspeito de sua “morte” que no fim das contas nunca foi comprovada, já que o corpo da jovem jamais foi encontrado. O que surpreende ainda mais? O filme é “baseado” em uma história real (na verdade eu diria totalmente inspirado, já que a única mudança visível são os nomes dos protagonistas – Robert Durst e Katie McCormack na vida real)

Seguindo a premissa da história que deu origem ao longa, o filme não revela um desfecho explicativo, mas sugere a todo momento que David é  o culpado pelo sumiço de Katie. Confesso que li muitas críticas a respeito disso, mas ao contrário da maioria, gosto da maneira com que o diretor Andrew Jarecki conduz a trama dando uma certa importância aos problemas psicológicos de David, o que faz com que expectador descubra aos poucos – e junto com Katie –  a face doentia do perturbado protagonista.

Entre Segredos e Mentiras é uma excelente mistura de suspense e drama, mas se você ainda não está convencido de que este filme vale a pena ser visto, basta se concentrar na fantástica atuação do casal protagonista que salvaria até o pior dos piores roteiros. Sem exageros e dramalhões Kirsten Dunst e Ryan Gosling são capazes de interpretar só nas expressões faciais. E eu não estou brincando. É fácil perceber só no olhar de Dunst, o quanto Katie – que no começo era alegre e sonhadora – vai perdendo o brilho e a altivez a medida em que descobre o lado sombrio do marido, assim como Gosling, que numa composição verdadeiramente magistral conseguiu mergulhar de cabeça na alma doentia de David – o que de fato, não é para qualquer um.

Anúncios