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Autor: Anne Fortier
Título Original: Juliet
Ano de Lançamento: 2010
Editora: Sextante
Número de Páginas: 448
Sinopse: Julie Jacobs e sua irmã gêmea, Janice, nasceram em Siena, na Itália, mas desde os 3 anos foram criadas nos Estados Unidos por sua tia-avó Rose, que as adotou depois de seus pais morrerem num acidente de carro. Passados mais de 20 anos, a morte de Rose transforma completamente a vida de Julie. Enquanto sua irmã herda a casa da tia, para ela restam apenas uma carta e uma revelação surpreendente: seu verdadeiro nome é Giulietta Tolomei. A carta diz que sua mãe havia descoberto um tesouro familiar, muito antigo e misterioso. Mesmo acreditando que sua busca será infrutífera, Julie parte para Siena. Seus temores se confirmam ao ver que tudo o que sua mãe deixou foram papéis velhos – um caderno com diversos esboços de uma única escultura, uma antiga edição de Romeu e Julieta e o velho diário de um famoso pintor italiano, Maestro Ambrogio. Mas logo ela descobre que a caça ao tesouro está apenas começando. O diário conta uma história trágica: há mais de 600 anos, dois jovens amantes, Giulietta Tolomei e Romeo Marescotti, morreram vítimas do ódio irreconciliável entre os Tolomei e os Salimbeni. Desde então, uma terrível maldição persegue essas duas famílias. E, levando-se em conta a linhagem e o nome de batismo de Julie, ela provavelmente é a próxima vítima. Tentando quebrar a maldição, ela começa a explorar a cidade e a se relacionar com os sienenses. À medida que se aproxima da verdade, sua vida corre cada vez mais perigo. Instigante, repleto de romance, suspense e reviravoltas, Julieta – livro de estreia de Anne Fortier – nos leva a uma deliciosa viagem a duas Sienas: a de 1340 e a de hoje. É a história de uma lenda de mais de 600 anos que atravessou os séculos e foi imortalizada por Shakespeare. Mas é também a história de uma mulher moderna, que descobre suas origens, sua identidade e um sentimento devastador e completamente novo para ela: o amor

Com as asas do amor saltei o muro, pois não há pedra que impeça o amor”

Todo mundo sabe que Romeu e Julieta de William Shakespeare é um dos maiores clássicos da história da literatura internacional. Talvez por conta disso, mesmo quem nunca tenha parado para ler a peça do escritor britânico, saiba de cor e salteado a trágica história de amor dos jovens italianos, ou pelo menos, tem uma ideia bem básica de como a sangrenta rivalidade entre duas famílias termina. São tantas repetições em filmes, adaptações literárias, peças teatrais e referências na cultura pop que o livro de estreia de Anne Fortier poderia ser apenas mais uma histórinha envolvendo o clássico romance shakesperiano. Isso mesmo. Poderia. Porque “Julieta” é simplesmente um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Realmente, não esperava que eu fosse me envolver tanto com esse livro (principalmente depois da experiência única que tive lendo “Amor de Rendenção”), mas a narrativa de Anne é tao fluída e a mistura entre passado e presente é tão deliciosa que quando me dei conta já estava na metade do livro e sem conseguir parar de ler.

Julie é uma jovem pacifista e bastante reservada que perdeu os pais quando ainda era criança e por conta disso se mudou da Itália (seu país natal) para viver nos Estados Unidos com uma tia chamada Rose e a sua irmã gêmea, Janice. Apesar de ter crescido numa bela mansão e ter sido praticamente “criada” por Umberto – o mordomo da família – Julie não tem uma relação muito amigável com a irmã e quando a tia morre tudo que ela recebe é uma carta dizendo que seu nome verdadeiro é Giulietta Tolomei e que sua falecida mãe havia escondido um tesouro muito valioso num banco da cidade italiana de Siena.

Decidida a descobrir a história por trás do tal “tesouro”, Julie ou melhor, Giulietta, viaja para Siena e se depara com um mundo completamente diferente de tudo que ela estava acostumada. Sob as ruínas de antigas construções, a bela cidade esconde não só as antigas rivalidades entre as famílias Tolomei, Salimbeni e Marescotti – que apesar do tempo continuam, de certa forma, bem vivas – , como também a verdadeira história de Romeu e Julieta. Ao contrário do que a própria protagonista e o mundo inteiro imaginavam, o clássico romance não foi uma invenção de William Shakespeare e sim uma adaptação de uma história que ocorreu séculos antes, na pitoresca Siena do longínquo ano de 1340 – quando o amor do corajoso Romeo Marescotti pela bela Giulietta Tolomei acaba em tragédia.

Aos poucos, á medida que Julie descobre sua ligação com a Giulietta Tolomei da Idade Média, o leitor conhece a história de amor que deu origem ao clássico mundial e vai, ao lado da protagonista montando um verdadeiro quebra cabeça repleto de segredos, maldições, rixas familiares e muito, mas muito mistério.

Parada ali, com a minha mão na dele, de repente compreendi porque eu fora atormentada a vida inteira pelo medo de morrer jovem. Toda vez que tentava imaginar meu futuro além da idade que minha mãe tinha ao morrer, não via nada além de escuridão. Só então aquilo fez sentido. A escuridão não era a morte, mas a cegueira; como eu poderia imaginar que iria despertar, como quem desperta de um sonho, para uma vida que eu nunca soubera que existira?”

“Julieta” é um livro que eu indicaria para pessoas de qualquer idade, principalmente quem gosta de história e é claro, um belo romance. Geralmente livros que alternam os capítulos entre passado e presente, tendem a ter um momento mais interessante que o outro, entretanto, com personagens extremamente cativantes, Anne Fortier consegue mesclar com maestria a Siena de 1340 com a dos dias atuais, já que cada linha equivale a uma verdadeira viagem à cidade e as típicas tradições italianas.

Outro ponto que merece destaque é a diagramação, principalmente no que diz respeito as frases da peça de Shakespeare que iniciam cada capítulo. É realmente surpreendente perceber como a autora mergulhou a fundo na clássica história e conseguiu de uma maneira bastante convincente reunir a história de uma mulher moderna com as lendas de um romance que ultrapassa gerações! Super indicado!

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