....Autor: Jenna Blum
Título Original: Those Who Save Us
Ano de Lançamento: 2011
Editora: Casa da Palavra
Número de Páginas: 392
Sinopse: Aqueles que nos salvaram conta a história de Anna, uma jovem com um futuro promissor aos olhos do pai, um simpatizante nazista: casar-se e ter filhos com um oficial alemão. Ao se apaixonar por um médico judeu, no entanto, sua vida muda completamente. Revelando uma história de paixão e amor condenado, um retrato sobre a vida durante a guerra e um impressionante drama da relação mãe e filha, o livro explora profundamente aquilo que escolhemos suportar ou resistir para sobreviver e o legado da culpa.

O passado morreu. O passado morreu e é melhor continuar assim.”

Dividido em dois tempos, “Aqueles que Nos Salvaram” nos apresenta a Anna, uma bela jovem alemã em plena Segunda Guerra Mundial que aos olhos do pai só tem um destino: casar-se com um oficial nazista. As coisas começam ir contra a corrente quando a garota se apaixona por Max, um médico judeu com quem vive uma relação proibida e obviamente fadada ao fracasso.

Cinquenta anos depois conhecemos Trudy, a filha de Anna que hoje vive como uma cidadã norte-americana e trabalha como professora de história alemã. Determinada a conhecer o verdadeiro papel dos alemães arianos na segunda guerra, ela inicia uma difícil pesquisa que irá trazer a tona os fantasmas do passado de sua mãe e seus próprios questionamentos como mulher e principalmente como filha, já que Trudy e Anna não possuem uma relação muito próxima.

Kinder, Kirche, Kurche: filhos, igreja e cozinha. É isso que todas as garotas alemãs esperam, Anna foi criada para esperar por isso. Seu futuro não é seu para decidir.”

Livros que misturam passado e presente costumam ser histórias extremamente tocantes, e com “Aqueles Que Nos Salvaram” não foi diferente. Com profunda sensibilidade e “conhecimento de causa” a autora Jenna Blum que é descendente de judeus e alemães foi capaz de criar um drama comovente e angustiante, onde relata não só os horrores da Segunda Guerra Mundial, mas a vida de duas mulheres que parecem tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão “iguais” pelo simples fato de se esconderem atrás da própria história.

Anna é uma personagem extremamente forte, que desde a juventude carrega uma “bagagem de vida” repleta de momentos difíceis. Sendo assim, em alguns momentos é completamente natural ficar irritada e de certa forma apreensiva com algumas de suas atitudes. Entretanto, a medida que a história se desenrola, é impossível não compadecer e entender cada passo dado por ela. Seja na Alemanha da década de 1940 ou nos Estados Unidos dos anos 1990.

Trudy por outro lado, não carrega uma história tão dolorosa quanto a da mãe. Mas as mentiras e os segredos ocultos por boa parte de sua vida, a transformaram numa mulher reservada e instigada a descobrir mais e mais. Por trás de suas pesquisas e até mesmo de seus relacionamentos, a professora busca aquilo que sempre quis ouvir: redenção por vir de onde veio (mesmo sem saber de fato, qual a sua verdadeira origem).

Cada pessoa tem a escolha sobre como viver em relação ao passado, essa dignidade, esse direito inviolável.”

O que se tem aqui é um trabalho extremamente delicado, não só no que diz respeito a narrativa, mas aos aspectos gerais da obra. A começar pela capa, que é feita de um material diferente do convencional. Confesso que até agora estou encantada com tudo. Com a história, com a narrativa e principalmente com os personagens que por mais difíceis que possam parecer, são extremamente bem construídos e donos de momentos importantes dentro da trama que circunda duas protagonistas de peso.

Ao finalizar o livro, confesso que fiquei com um “gostinho de quero mais”. No inicio achei que tinha sido o final – esperava algo mais épico – porém, horas depois, digerindo tudo que li e vivi com o drama de Anna e Trudy, entendi que aquilo nada mais era que a típica “tristeza” que muitos leitores sentem depois de terminar um livro maravilhosamente bom – e que sem dúvidas me deixou ansiosa para conhecer outros trabalhos da autora.

O que mais eu posso dizer? “Aqueles que Nos Salvaram” é um trabalho primoroso. A Segunda Guerra ainda é um episódio  doloroso na vida de muitas pessoas, mas Jenna Blum soube “tocar nas feridas” criando uma história delicada e ao mesmo tempo sincera, sobre o amor de uma mãe por sua filha. Amor que obviamente ultrapassa as barreiras do tempo e as marcas de um passado infeliz. Super recomendado!

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