osorrisodasmulheresAutor: Nicolas Barreau
Título Original: Das Lächeln der Frauen
Ano de Lançamento: 2012
Editora: Verus
Número de Páginas: 238
Nota: 3/5 
Sinopse: Aurélie Bredin é a jovem e sensível proprietária do restaurante Le Temps des Cerises, no coração de Paris. Foi ali, no pequeno e romântico restaurante, que seu pai conquistou o coração de sua mãe, graças ao famoso menu d’amour. E foi ali, rodeada pelo aroma de chocolate e canela, que Aurélie cresceu e encontrou consolo nos momentos difíceis da vida. Mas agora, depois de uma decepção amorosa, nem sequer a calidez acolhedora da cozinha é capaz de confortá-la. Uma tarde, mais triste do que nunca, Aurélie se refugia numa livraria, onde se depara com um romance intitulado O sorriso das mulheres. Intrigada, ela começa a ler o livro e percebe que a protagonista é inspirada nela e que seu restaurante é um dos cenários principais. Surpresa, Aurélie decide entrar em contato com o autor – um misterioso e recluso inglês –, mas essa não é uma tarefa fácil. Ela não desiste e, quando finalmente consegue conhecer o escritor, esse encontro se revela bem diferente daquele que ela havia imaginado… Com sua escrita original, leve e apaixonada, Nicolas Barreau mistura neste livro amor, mistério, o charme de Paris e os sabores da cozinha, para levar até os leitores uma história que encanta e aquece o coração

Sabe, de certo modo, você atrai histórias sem futuro. Primeiro foi aquele desenhista estranho, que a cada quatro semanas simplesmente desaparecia e não batia bem da cabeça. E agora você só fala desse autor misterioso, que, em todo caso, independente de tudo o que você interpretou nesse romance, parece ser só uma coisa: um cara difícil.

“O Sorriso das Mulheres” é aquele tipo de livro que atraí pela delicadeza e a promessa de uma bela história de amor num cenário romântico e paradisíaco. Com o intuito de sair um pouco do eixo Estados Unidos-Inglaterra, decidi que esse climinha de férias seria um bom momento para iniciar a leitura de um livro que além de ter como cenário uma das cidades mais fascinantes do mundo, foi escrito por um autêntico francês que não economizou nas referências a lugares reais que de certa forma contribuem com o envolvimento do leitor com a própria história. Tudo parecia perfeito. O grande problema, porém, é que apesar do cenário, das referências e um belo romance “O Sorriso das Mulheres” não conseguiu me encantar por completo.

Na história do estreante Nicolas Barreau, Aurélie Bredin é a jovem dona de um restaurante que apesar da personalidade doce e romântica não costuma ter muita “sorte no amor”. Sua última desilusão amorosa, a levou para uma pequena e intimista livraria onde ela encontra um pequeno romance que para a sua surpresa parece ser claramente inspirado nela e no Le Temps des Cerises – o restaurante que herdou de seu amado pai. Apaixonada por culinária, Aurélie nunca se deteve a qualquer “poesia” que fosse além da cozinha de seu restaurante, mas aquela história escrita por um tal “Robert Miller” não só muda a sua vida, como a faz embarcar numa verdadeira caçada para entrar em contato com o autor que a julgar pela história que escreveu aparenta ser um homem gentil, sensível e encantador.

Robert, no entanto é recluso e difícil de ser contatado. Avesso a entrevistas e aparições públicas o escritor se refugia em uma bela casa de campo no interior da Inglaterra, deixando qualquer tipo de problema nas mãos de seu editor, o prático André Chabanais que desde o principio dificulta qualquer possibilidade de Aurélie conhecer e de certa forma agradecer o autor do livro que a ajudou a superar o doloroso fim de um relacionamento.

“Em novembro do ano passado, um livro salvou minha vida. Eu sei, agora parece muito improvável. Alguns podem até considerar exagerado ou melodramático eu dizer algo do gênero. Só que foi exatamente o que aconteceu.”

Mesmo não “caindo de amores” pela história que desde o principio parece bastante previsível, tenho que admitir que “O Sorriso das Mulheres” possui uma narrativa bastante fluída que alternando entre Aurélie e Andre de certa forma expõe os bastidores do mundo editoral, revelando de uma forma bastante interessante o poder que uma boa leitura pode exercer na vida de qualquer pessoa, seja ela um leitor ávido ou não. Obviamente, todo o mistério em torno da reclusão de Robert Miller é desvendado logo no inicio da narrativa, o que é outro ponto positivo da trama, já que acaba sendo engraçado e ao mesmo tempo angustiante presenciar a obsessão de Aurélie e o desespero de Andre que possui um motivo muito forte para proteger seu principal autor de qualquer contato com o mundo.

Sobre os personagens, diria que André me conquistou logo em sua primeira aparição. Pragmático, realista e um tanto quanto “enrolado”, o editor proporciona aos leitores momentos divertidos e interessante, principalmente quando revela algumas passagens incríveis sobre a arte de escrever e apreciar um bom livro. Aurélie por outro lado se torna uma pessoa completamente obcecada com a sua busca. Focada em descobrir Robert Miller a francesinha começa a nutrir sentimentos platônicos pelo autor, recusando-se a enxergar qualquer verdade que pudesse estar bem exposta na sua frente. Acredito que a grande “salvação” de seus capítulos acaba sendo a presença de sua melhor amiga, Bernadette que mesmo embarcando na caçada de Aurélie, não tem papas na língua e consequentemente se mostra mais adulta e realista que a sonhadora protagonista.

Em suma, “O Sorriso das Mulheres” é um livro solar e romântico. Para quem gosta de uma história bonitinha e sem grandes surpresas, vale a pena conferir o livro que nos cinemas daria uma ótima comédia romântica francesa!

Pouco importa como começa uma história, pouco importa que mudanças e que rumos ela toma; no fim, interessa apenas como termina.”

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