roubada

Autor: Lesley Pearse
Título Original: Stolen
Ano de Lançamento: 2011
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 384
Nota: 4/5
Sinopse: Quando uma bela moça loira foi encontrada desacordada em uma praia, ela não tinha nenhuma lembrança de quem era ou dos horrores pelos quais havia passado antes de chegar ali. A esteticista Dale não via Lotte Wainwright há tempos, mas, para seu pesar, reconheceu sua amiga na foto publicada pela imprensa local em um artigo que noticiava as misteriosas circunstâncias do aparecimento da jovem que, recentemente, havia dado à luz. Após uma longa separação entre Lotte e Dale, uma perigosa sequencia de segredos, mentiras e pesadelos tem inicio. O que aconteceu com Lotte? Alguém queria mata-la? E, o pior, o que acontecera com o bebê que dera à luz? Imagine não saber de onde você veio e o que o futuro lhe reserva…

“As pessoas sempre perguntavam como ela se sentia, mas não conseguia explicar, pois não tinha ideia de como se sentia antes de ser encontrada no mar.”

2014 começou com leituras leves e despretensiosas, buscando sair um pouco desse “padrão” que eu já estava criando, escolhi começar a ler “Roubada” da experiente Lesley Pearse que a julgar pela sinopse, parecia ser uma história densa e repleta de mistérios.

De fato, a obra revela uma trama bastante interessante e perturbadora. Mesmo não sendo o meu livro policial favorito, “Roubada” conseguiu cumprir com maestria a função de me deixar completamente vidrada pelo ritmo frenético e os desdobramentos revelados ao passar de cada um dos capítulos.

Tudo começa quando David Mitchell encontra por acaso o corpo de uma mulher na beira de uma praia da Inglaterra. Muito debilitada a garota que apesar dos ferimentos parece extremamente jovem e bela é imediatamente levada a um hospital onde a policia local começa a investigar as circunstâncias que a levaram até ali, já que ela perdeu a memória e não possui nenhuma lembrança de quem era ou dos motivos que a fizeram parar nas águas de uma praia deserta.

“Ao se aproximar, David percebeu, para seu horror, que era uma mulher. Suas pernas desnudas ainda estavam dentro da água e, quando as ondas chegavam, levantavam a saia do vestido e faziam com que se agitassem. A cabeça não ficou visível até que ele se aproximasse, e David percebeu que ela era jovem, com mais de 20 anos, esguia e bela, e que seu cabelo loiro havia sido cortado de forma descuidada e brutal.”

Em pouco tempo, a história da garota começa a estampar as capas dos principais jornais da Inglaterra, fazendo com que os amigos Dale e Scott a identificassem como Lotte Wainwright, uma antiga colega de trabalho com quem fizeram amizade no período em que trabalharam num luxuoso navio cruzeiro. Na época a dupla estranhou o fato da afetuosa Lotte ter deixado de se comunicar com os amigos assim que desembarcou do transatlântico, a pouco mais de um ano. Agora, no entanto, Dale e Scott sabem que algo muito errado aconteceu neste período e ao lado de outros dois grandes amigos de Lotte, o casal Simon e Adam, não acumulam esforços para desvendar os mistérios por trás do desaparecimento da jovem cabeleireira que como se não bastasse havia dado à luz a um bebê recentemente 

Com a ajuda dos fiéis amigos, Lotte gradativamente começa a recuperar sua memória, relembrando não só as dificuldades que enfrentou desde a infância, como também o verdadeiro inferno que viveu durante o seu desaparecimento.

“Conforme as lembranças voltavam à sua memória, era como se ela estivesse assistindo à vida de outra pessoa. Não parecia que tudo aquilo havia acontecido com ela.”

“Roubada” é sem dúvidas um livro surpreendente, entretanto, sinto em que boa parte da trama a autora soa um pouco forçada ao criar personagens bastante maniqueístas. Além disso, Lotte é uma garota que desde a infância sofreu os mais inimagináveis traumas, e mesmo depois de lembrar de toda a sua história continua vivendo naturalmente e superando todos os seus problemas somente com a ajuda dos amigos. Mesmo que existam pessoas capazes de superarem grandes adversidades (e acredito que essa era justamente a moral do livro), esse costuma ser um processo longo e doloroso. Sendo assim, acredito que se Lesley tivesse trabalhado mais os efeitos que os traumas seriam capazes de causar à protagonista, teríamos um resultado praticamente irretocável.

No geral, a obra cumpre o papel a que se propõe. Me contradizendo um pouquinho, diria que por mais forçada que algumas situações possam parecer o livro retrata algo que realmente poderia acontecer com uma garota tão desprovida de carinho e amor. Sendo assim é interessante dar atenção a uma obra que com uma narrativa ágil retrata com tamanha intensidade assuntos tão perturbadores e traumatizantes. Resumidamente, “Roubada” é, apesar dos pesares, uma excelente pedida para quem curte uma trama que mistura sem medo altas doses de ação e mistério. Vale a pena conferir!

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