aescolha

Título Original: The Choice
Ano de Lançamento: 2012
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 303
Nota: 4/5

Nicholas Sparks é aquele tipo de autor que dispensa apresentações. Eu confesso que sou suspeita para falar das obras dele porque sou uma romântica de carteirinha e me derreto toda com lindas histórias de amor (e nisso todo mundo sabe que o titio Nick é mestre). Ultimamente, porém, sempre que lia uma obra do autor norte-americano não conseguia sentir a “conexão” que sentia com as histórias do inicio de sua carreira. A impressão que eu tinha, era que com a obrigação de lançar pelo menos um livro por ano, Sparks simplesmente ligava o piloto automático e escrevia uma história bem clichê e recheada de elementos “reciclados” de suas outras publicações. 

Felizmente, essa sensação mudou completamente quando li “A Escolha”. Não que a história tenha me feito chorar rios de lágrimas como “A Última Música” ou “Diário de uma Paixão”, mas a maneira sincera e delicada que o autor consegue transmitir uma história de amor tão “cotidiana” e sem grandes reviravoltas acaba sendo digna de méritos.

“A Escolha” conta a história de amor do veterinário Travis e da assistente médica Gabby. Dividido em duas partes, o livro nos apresenta um pequeno prólogo no ano de 2007 e inicia seus capítulos onze anos antes, no verão de 1996, quando o casal protagonista se conhece. Na época, Travis era um jovem solteiro que aproveitava a vida como podia. Amante de esportes radicais ele vivia sem grandes compromissos na companhia dos amigos e de seu cachorro de estimação, o gigantesco Moby.

O completo oposto de sua vizinha Gabby, que havia se mudado recentemente para a cidadezinha de Beaufort na esperança de adquirir a sua própria independência e principalmente, se reaproximar de Kevin, seu namorado de longa data com quem vivia um relacionamento completamente desgastado. Dona de uma personalidade forte e “perfeccionista”, Gabby se irrita com o jeito despreocupado e festeiro do vizinho, e a sua “péssima” impressão sobre ele só aumenta quando ela começa desconfiar que Moby engravidou sua cadelinha, a delicada Molly.

É a partir daí, através do único ponto em comum que possuem: o amor pelos seus cães, que Gabby e Travis passam a se conhecer melhor e pouco a pouco apagar as más impressões que tiveram um do outro.

“(…) Travis era muito diferente dela , mesmo assim, na presença dele, ela sentia  possibilidade de outro tipo de vida, uma vida que ela nunca havia imaginado que poderia ser sua. Uma vida sem as limitações rígidas que os outros sempre impunham  a ela”.

Obviamente Gabby e Travis se apaixonam e depois de mostrar o início dessa história de amor, o livro avança para a segunda parte, que se passa em 2007 e é muito mais angustiante e agitada que a primeira. É neste momento que Travis, já casado e pai de duas meninas, precisa fazer a grande “escolha” do título. Uma escolha, que naturalmente irá mudar o rumo de sua vida e afetar toda a sua família.

Prefiro não ir muito além disso, já que a grande sacada de Nicholas é justamente apresentar parte desse “problema” no prólogo e deixar o leitor se deliciar com a paixão do casal protagonista, além de é claro plantar aquela “pulga atrás da orelha” sobre o que realmente acontecerá na segunda parte da história.

“Ele se perguntou novamente o que o amor realmente significava. E, na escuridão do seu quarto, se virava na cama sem conseguir dormir, desejando haver outra pessoa que pudesse fazer a escolha por ele.

Com seu habitual dom para criar personagens profundos e cheios de personalidade, Nicholas nos presenteia com uma história delicada, romântica e extremamente bonita. Além do casal protagonista e os cachorrinhos que são um caso a parte,  outra personagem que acaba tendo um papel importante na história e se torna uma das melhores do livro, é Stephanie a irmã caçula de Travis que não só aconselha o veterinário, como se torna uma grande amiga de Gabby. Sabe aquela personagem que não tem papas na língua e sempre dá o conselho certo, no momento certo? Pois é, Steph é exatamente assim, e por isso acaba sendo impossível não gostar das passagens em que ela aparece.

O desenrolar da história acaba não sendo muito surpreendente, mas quem disse que sempre precisamos ficar com o queixo lá no chão? Para quem curte uma bom romance e os diálogos incríveis do Sr. Sparks, vale a pena acrescentar “A Escolha” na sua lista de leitura!

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