...Título Original: Alfred Hitchcock and the Making of Psycho
Ano de Lançamento: 2012 (Original 1990)
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 256
Nota: 5/5

“Por força da necessidade, Psicose marcaria a ruptura do diretor com seu passado profissional e mostraria para a indústria que um velho cavalo de batalha cinematográfico de sessenta anos podia chocar e inovar acompanhado do melhor sangue novo”

O filme Psicose (Psycho, 1960) foi  um dos maiores marcos do cinema mundial, afinal de contas, pela primeira vez (mesmo que em preto e branco) se via na tela um filme revolucionário, capaz de matar a mocinha quase no inicio da trama e ousado o bastante para estampar cenas de violência com muito sangue, facas e um assassino extremamente fora do comum.

Quem assiste a grande obra prima de Alfred Hitchcock, pode até não entender todo esse culto a um dos maiores clássicos do terror, mas na época em que foi lançado o filme simplesmente arrebatou plateias e cravou para sempre a sua marca na história do cinema mundial. Você pode até não gritar com a famigerada cena do chuveiro, mas com toda certeza já viu inúmeras referências a esse pequeno filme que foi feito em pouquíssimo tempo e com um orçamento extremamente baixo para os padrões do excêntrico e famoso Hitchcock.

O cineasta aliás, é o grande nome por trás desse fenômeno. Na época da produção do filme, ele já era bastante respeitado no cinema – o verdadeiro “pai do suspense” que a cada nova produção surpreendia ainda mais o público e a crítica com tramas elaboradas e recheadas de elementos que usavam e abusavam da “psiqué”. Mas Psicose, com toda certeza fez uma grande diferença na carreira do cineasta, e é exatamente essa mudança que o autor Stephan Rebello faz questão de explicitar no livro “Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose” que como o próprio nome sugere, vai muito além das histórias da produção do longa metragem, e centra toda a sua narrativa na importância e competência do diretor que até hoje é conhecido pelo talento e logicamente sua personalidade um tanto quanto diferente.

“Um homem trabalha durante anos sem achar que está tendo o reconhecimento merecido. Embora seja amado, respeitado e bem pago, sente que ninguém realmente sabe o quanto ele é bom. De repente, com esse filme pequeno e estranho começa todo esse burburinho a respeito dele e de seu trabalho” – O roteirista Joseph Stefano sobre Alfred Hitchcock

Meticulosamente pesquisado, o livro percorre o “nascimento” desse verdadeiro marco do cinema mundial até os desdobramentos posteriores à história que com toda certeza escandalizou (e encantou) o público da época. Rebello faz uso de suas incontáveis pesquisas e entrevistas com o próprio Hitchcock, elenco e produção do filme, para da maneira mais real possível contar cada detalhe da imensa engrenagem que é a idealização de um longa metragem.

A sensação é que realmente estamos dentro do set de filmagem, acompanhando cada pedacinho, cada movimento, cada história de bastidor – desde o verdadeiro serial killer que despertou a mente do escritor Robert Bloch para escrever o livro “Psicose” até a luta do próprio Hitchcock para transformar aquele roteiro bizarro num filme.

Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose” vale a pena, não só para aqueles que adoram o trabalho do mestre do suspense e se maravilham com a ideia de saber como cada cena de um verdadeiro clássico surgiu, mas para todos aqueles que curtem cinema e sentem curiosidade em descobrir como um filme é produzido – ainda mais quando esse filme é de uma longínqua década de 60 e exige ainda mais criatividade e paciência de uma equipe com poucos recursos e praticamente nenhum artefato tecnológico.

Vale lembrar que no ano passado, o livro deu origem ao filme Hitchcock – mas para falar a verdade, leiam e se deliciem com o livro, já que a história retratada pelo cinema está muito aquém do verdadeiro baú de histórias que Stephen Rebello nos proporciona em cada um dos capítulos da sua verdadeira viagem aos anos dourados da antiga Hollywood!

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