Título Original: Divergent
Ano de Lançamento: 2012
Editora: Rocco
Número de Páginas: 502
Nota: 4/5

Vou começar essa resenha sendo bem sincera: distopias nunca estão no topo das minhas intermináveis listas de leituras. Por mais comum que o tema seja nas rodinhas de leitura da maioria das pessoas da minha idade, eu nunca presto muita atenção nos lançamentos do gênero e quase sempre fico a ver navios quando alguém começa a falar sobre a série X ou a trilogia Y. Com “Divergente” a história não foi muito diferente. Assim que foi lançada, a história passou tão batida por mim que eu só fui dar devida atenção à ela quando, por acaso, acabei assistindo ao trailer da adaptação cinematográfica do primeiro livro da trilogia assinada por Veronica Roth.

Sabe quando um trailer de deixa loucamente ansiosa para acampar na porta do cinema e assistir logo aquela produção? Divergente me deixou exatamente desse jeito (e o fato de ter a musa Kate Winslet no elenco só contribuiu para a minha paixão instantânea). No mesmo momento descobri que “Divergente” era o filme inspirado naquele livrinho que eu tanto esnobei há alguns meses atrás e o resultado não poderia ser outro: corri ensandecidamente atrás do meu exemplar e obviamente devorei cada pedacinho da história.

Sim, “Divergente” foi uma grata surpresa. Não só pela história envolvente, mas pela maneira que o livro fez com que eu finalmente abrisse meus olhos para as distopias e finalmente as colocasse como prioridade nas minhas listinhas (a principal é obviamente “Jogos Vorazes”, que aliás, eu tive o “desplante” de praticamente venerar os dois filmes já lançados sem ter lido uma linha sequer dos livros #shameonme).

Para quem vivia no mesmo planeta que eu, “Divergente” se passa numa Chicago futurista onde a humanidade numa tentativa de acabar com as guerras se dividiu em cinco facções (Amizade, Erudição, Franqueza, Abnegação e Audácia) que obrigam cada um a seguir regras e cumprir tarefas que estejam completamente relacionadas a sua principal qualidade.

“Os que culpavam a agressividade formaram a Amizade. Os que culpavam a ignorância se tornaram a Erudição. Os que culpavam a duplicidade fundaram a Franqueza. Os que culpavam o egoísmo formaram a Abnegação. E os que culpavam a covardia formaram a Audácia

Todos os anos os jovens que completam 16 anos precisam passar por uma espécie de teste, onde eles têm a chance de descobrir em qual facção se encaixam mais e se pretendem continuar naquela em que nasceram ou mudar para outra e recomeçarem suas vidas longe da família. A protagonista da história, Tris e o seu irmão Caleb estão prestes a realizarem o tal teste, mas o fato é que Tris que pertence a Abnegação (a facção mais “sem graça” no ponto de vista das outras), se sente um completo peixe fora d’água e tem certeza absoluta que o seu teste comprovará que ela não tem vocação alguma para abnegada.

O que ela não esperava era que muito além da missão de ter que abandonar os pais por simplesmente não pertencer ao grupo dos altruístas, ela teria que enfrentar outro grande problema: seu teste acaba sendo inconclusivo e ao invés de se encaixar numa facção, Tris demonstra possuir características que a definem como possível membro de vários grupos. Essas pessoas são chamadas Divergentes e são consideradas uma grande ameaça ao sistema, já que conseguem pensar e agir de uma maneira completamente “diferente” das outras pessoas.

“O altruísmo e a coragem não são tão diferentes assim”

Logicamente, Tris precisa se proteger e além de não revelar a ninguém o verdadeiro resultado do teste, opta por deixar a Abnegação e entrar para a Audácia a facção que ela sempre admirou e que o seu pai sempre criticou. Como o próprio nome diz, os membros da Audácia são corajosos e vivem no limite do perigo, além de terem a missão de manter a cidade protegida de qualquer ameaça e dos chamados “sem facção” que são aqueles que por algum motivo acabaram deixando seus grupos e por conta disso vivem como mendigos.

Escolhida a facção, os jovens precisam passar por uma “iniciação” que de certa forma reafirma a escolha e é completamente diferente em cada um dos grupos. Na Audácia, os jovens passam por uma série de treinamentos “militares” e além de ter que conviver com essa nova realidade, Tris precisa manter o seu segredo a salvo e lidar com algumas ameaças como o também iniciado Peter e o líder da facção, o inescrupuloso Eric.

A razão humana é capaz de justificar qualquer mal; é por isso que não devemos depender dela”

A partir daí toda a história do primeiro volume se desenrola. A narrativa de Veronica Roth é tão fluída e gostosa de acompanhar que você termina o livro com a sensação de que só havia chegado a página 50. A protagonista também é um comentário a parte. Nada de mocinhas chatas e donas da verdade. Tris tem seus princípios é claro, mas é ágil, esperta e obviamente audaciosa. Sem contar que o seu romance com Quatro, um dos mentores dos iniciados (<3), é construído de maneira natural, sem muito mimimi e com diálogos inteligentes que apesar de passarem longe da melação não deixam de serem românticos.

Quatro, aliás é misterioso, durão e excelente para demonstrar o quanto os personagens de “Divergente” são bem construídos. Mesmo que ainda não saibamos muito sobre alguns, é impossível não sentir uma onda de sentimentos por cada um deles. Seja desprezo ou identificação. Todos eles tem suas características extremamente definidas e personalidades muito bem construídas.

Eu poderia fazer um texto de muitas páginas sobre esse livro. “Divergente” é ação, romance, suspense e mais um milhão de características que explicam a verdadeira onda de sucesso que essa história se tornou. Por mais adolescente e inverosímel que a história pareça, o texto de de Veronica Roth arruína qualquer questionamento inicial e como toda distopia traz a tona algumas críticas politicas e filosóficas que desenham muito bem a sociedade em que vivemos.

O meu conselho é que se você gosta de distopias fique pronto para se apaixonar por mais uma delas, e se você assim como eu não costuma dar muitas chances para livros do gênero, mude um pouco de opinião e se renda a “Divergente”!

Os livros da trilogia:
1 – “Divergente”
2 – “Insurgente”
3 – “Convergente”

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