INSURGENTETítulo Original: Insurgent (Divergent 02)
Ano de Lançamento: 2013
Editora: Rocco
Número de Páginas: 509
Nota: 4/5

Sem spoilers do livro anterior

“Insurgente” é o segundo volume da série “Divergente” e começa exatamente onde o primeiro livro terminou. O que logo se mostra um problema. Apesar de ser interessante a forma ágil que a autora escolheu para dar continuidade a sua história, a falta de uma grande recapitulação deixa o leitor bastante perdido não só na tentativa de identificar alguns personagens, mas nas várias situações em que precisamos relembrar detalhes importantes da trama do primeiro volume. Se eu que li “Divergente” a pouco mais de um mês, tive dificuldade em acompanhar esse início, imaginem o problema de quem esperou muito mais tempo para começar a ler “Insurgente”.

Ainda assim, apesar de alguns pontos negativos, posso dizer que “Insurgente” preencheu as minhas expectativas. Diferente do primeiro livro, neste volume Veronica Roth investiu muito mais nas cenas de ação e a cada capítulo fez questão de inserir uma nova problemática que mudava totalmente o rumo em que as coisas estavam tomando. Quando você imaginava que algo estava certo, a narrativa traz uma nova reviravolta e muda completamente o panorama da história. Aliás, por falar em agilidade, a autora não teve medo nenhum em matar de maneira rápida e certeira vários personagens que eu jurava que teriam uma vida mais longa dentro da série. Na mesma medida, ela insere novos nomes à trama e contribui página a página para esse universo de tensão e perigo que permeia toda a história de “Insurgente”.

“Insurgente. Substantivo. Uma pessoa que age em oposição à autoridade estabelecida, mas que não é necessariamente considerada agressiva”

Tris continua sendo a narradora da história, mas dessa vez mergulhar de cabeça nos pensamentos da protagonista não foi nem um pouco interessante. Lembro que uma das coisas que eu mais gostei em “Divergente” foi justamente a personalidade da mocinha da história. Tris era forte, decidida, corajosa e nem um pouco irritante. O problema é que com os acontecimentos traumáticos do fim do primeiro volume, ela passa o livro inteiro se lamuriando pelas atitudes que teve que tomar e não dá um passo sem relembrar o quão mal ela está lidando com toda a situação. E sendo bem sincera, eu nem consigo mensurar o quanto isso me incomodou. Tudo bem, eu reconheço que no lugar dela eu também teria alguns fantasmas para lidar, entretanto existem mil maneiras de demonstrar esses sentimentos e Veronica Roth perdeu uma boa oportunidade de firmar a personalidade forte de sua protagonista.

Por outro lado, uma das coisas que eu mais gosto nessa trilogia é o fato de pelo romance da Tris com o Quatro não ser o centro da história, todos os momentos românticos eles entre eles acabam sendo muito bem vindos, pois servem como uma espécie de suavização para o lado mais tenso da trama. Em “Insurgente” a relação deles parece mais madura e por mais que o ponto de vista da Tris faça com que o leitor fique no “escuro” por um longo tempo até que a autora “explique” certas atitudes do Quatro, o garoto continua sendo um dos personagens com a personalidade mais bem moldada e com um lado psicológico interessante a ser abordado.

Descobri que as pessoas são formadas de camadas e mais camadas de segredos. Você pode achar que as conhece, que as entende, mas seus motivos estão sempre ocultos, enterrados em seus próprios corações. Você nunca as conhecerá de verdade, mas ás vezes decide confiar nelas”

“Insurgente” cumpre muito bem o seu papel ao exaltar a essência de uma distopia e trata com mais profundidade os temas recorrentes nesse tipo de livro. Fiquei bastante satisfeita com o modo como Veronica Roth trouxe mais explicações sobre o mundo que a Tris vive e a maneira inteligente com que ela amarrou a sua história e apresentou algumas facções que ainda não haviam sido tão exploradas pela trama.

De modo geral, “Insurgente” traz grandes perspectivas para o desfecho da série, principalmente depois da reviravolta surpreendente do último capitulo. Essa surpresa, aliás, explica muitas coisas da própria “mitologia” da série e fecha algumas lacunas que eu já estava começando a acreditar que eram pura licença poética da autora.

Em suma, o segundo volume da trilogia se mostrou um bom livro e apesar de alguns pontos negativos que me incomodaram mais do deveriam, eu não consigo desgostar dessa série. A prova disso é que eu estou mais do que ansiosa para ler “Convergente” e finalmente descobrir o impacto que a grande revelação feita em “Insurgente” terá no desfecho dessa história!

Os livros da trilogia:
1 – “Divergente” | Resenha
2 – “Insurgente”
3 – “Convergente”

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