O_LADO_BOM_DA_VIDA_1391649995PTítulo Original: Silver Linings Playbook
Ano de Lançamento: 2008
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 255
Nota: 4/5

“O Lado Bom da Vida” foi um dos poucos livros que eu li depois de ter visto o filme. Sendo assim, iniciei a leitura da obra de Matthew Quick com as expectativas bem “delineadas” a respeito da história. A grande surpresa porém, foi perceber que apesar de lembrar de algumas passagens, quase toda a trama segue um rumo ou melhor dizendo, um ritmo bastante diferente do proposto na adaptação cinematográfica e por conta disso, um filme que parece ser algo extremamente bacana, se tornou um verdadeiro “massacre” de uma aventura literária que é muito mais completa, dinâmica e interessante.

“… a vida não é um filme de censura livre para fazer com que a pessoa se sinta bem. Muitas vezes a vida real acaba mal”

O livro é narrado sob o ponto de vista de Pat Peoples, um ex-professor de trinta e poucos anos que vê sua vida virar de cabeça para baixo desde que foi internado no que ele chama de “lugar ruim”. O primeiro capítulo é justamente a saída do protagonista dessa tal clínica e como tudo acontece através do ponto de vista dele, não fazemos a mínima ideia do que o fez ser internado e nem o motivo que levou Nikki, sua ex-esposa, a se afastar definitivamente da vida dele.

Pat está confuso e num momento delicado de sua vida. Por conta disso ele não consegue perceber que o seus problemas são sérios e que reconquistar Nikki não será uma tarefa muito fácil. Aliás, essa obsessão de Pat pela ex-mulher permeia boa parte da narrativa e o protagonista fica o tempo inteiro praticando gentilezas e mudando hábitos de vida para que Nikki veja o quanto ele a ama e o quanto ele é capaz de mudar por ela. O problema é que a tal ex-mulher não está nem aí e Pat segue surdo, cego e mudo na esperança de reaver a única que coisa que vale em sua vida: o seu casamento.

“…estou praticando ser gentil em vez de ter razão.”

Num dado momento da história, Pat conhece Tiffany, uma jovem viúva que tem problemas bem parecidos com o dele e que pouco a pouco, numa maneira bem avessa a habitual, acaba se tornando sua melhor amiga e confidente. Tiffany é sem dúvidas a melhor personagem da história. Espirituosa, sincera e mal-humorada ela realmente delimita os momentos mais interessantes da história criada por Matthew Quick.

Outros pontos que merecem destaque são sem dúvidas, as consultas de Pat com o seu terapeuta e os momentos em que o protagonista tenta comparar sua vida com a de alguns personagens de clássicos da literatura norte-americana. Por outro lado, achei extremamente cansativa algumas passagens insistentes sobre futebol americano (não tenho paciência) e a própria relação de Pat com o seu pai, que apesar de ser bem diferente e mais interessante que a mostrada no filme, deixou um pouco a desejar. Senti falta de um grande conflito ou um momento em que pudéssemos realmente conhecer verdadeiramente o rabugento Sr. Peoples.

De um modo geral, “O Lado Bom da Vida” é um livro extremamente bacana. À maneira leve como o autor explora a rotina de um homem bipolar, se mostra bastante interessante e eficiente. É um livro rápido, divertido e que em muitos pontos consegue levar o leitor a uma boa reflexão. Com uma narrativa excelente, personagens cativantes e um tema pouco explorado pela literatura, Matthew Quick nos entrega uma excelente história que fala sobre perdas, recomeços e aceitação. Recomendadíssimo!

Como disse anteriormente, a leitura do livro fez com que eu percebesse o quanto o filme deixou a desejar. Ainda assim, preciso dizer que as interpretações de Bradley Cooper e Jennifer Lawrence caíram como uma luva em Pat e Tiffany, e que apesar dos pesares eu realmente pretendo rever a adaptação cinematográfica só para confirmar a minha opinião 😉

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