RAZAO_E_SENSIBILIDADE_N_ORGULHO_E_PRECON_1288622755PTítulo Original: Persuasion
Ano de Lançamento: 1818 (edição original)
Editora: Martin Claret
Número de Páginas: 160
Nota: 5/5

 Jane Austen é sem dúvidas, uma das autoras mais celebradas da história. Mesmo possuindo uma obra literária pequena, a inglesa sobrevive até hoje com romances que permeiam a mente de milhares de leitores ao redor do mundo.

Meu primeiro contato com Austen, foi no ensino médio, quando numa das minhas habituais visitas à biblioteca da escola, me deparei com um exemplar do famosíssimo “Orgulho e Preconceito” (que na ocasião acabou sendo “devorado” numa única tarde). Desde então, a autora passou a ter um lugarzinho de destaque em minhas prateleiras e é claro que quando me deparei com essa coletânea que reúne os três principais trabalhos de Jane Austen, fiquei absolutamente maluca.

A edição não é um grande primor. É bem simples até, mas nada disso atrapalha a verdadeira viagem que é se embrenhar na escrita de Jane Austen. Sendo assim, como já havia lido as duas primeiras histórias fui direto à “Persuasão” e mais uma vez me encantei com a sensibilidade com que a britânica contava histórias simples sobre a vida cotidiana da aristocracia britânica do início do século XIX.

Em “Persuasão” a trama gira em torno de Anne Elliot, uma mulher beirando aos trinta anos de idade que no inicio da adolescência perdeu a mãe e apesar de continuar vivendo ao lado de seu pai, teve praticamente toda a criação nas mãos de Lady Russell, uma grande amiga da família por quem Anne nutre um grande carinho e admiração. Desde o comecinho da história, fica muito claro que Anne é completamente diferente de todos os outros Elliot. Seu pai, Walter, assim como a sua irmã mais velha, a odiosa Elizabeth, mostram-se pessoas fúteis, mesquinhas e egocêntricas que passam boa parte do tempo preocupados com a sua “reputação” perante a alta sociedade (a família, aliás, passa por uma séria crise financeira e precisa abrir mão de muitos luxos, dentre eles a grande mansão em que viviam numa área rural da Inglaterra)

Anne, ao contrário, é uma mulher sensata e prudente. No passado, com medo de se arriscar, Anne acabou cedendo ao “poder de persuasão” de Lady Russell e colocando um ponto final num noivado com o grande amor de sua vida: o jovem capitão Wentworth, que na época era apenas um garoto humilde e sem perspectivas de um futuro promissor. No fim das contas, poucos ficaram sabendo da história, mas o romance nunca saiu da cabeça da protagonista e apesar dos anos terem passado, o próprio tempo e a maturidade fazem com que ela reflita sobre a sua escolha e sinta uma pontada de arrependimento pelo que fez.

“Estava persuadida de que por maiores que fossem as desvantagens da desaprovação familiar e por pior que fosse a incerteza acerca da profissão dele e todos aqueles prováveis medos, atrasos e decepções, ela teria sido uma mulher mais feliz se mantivesse o noivado do que era tendo-o sacrificado.”

O grande conflito da história surge, obviamente, quando há um reencontro de Anne e Wentworth. Mas engana-se quem pensa que logo no primeiro momento há uma explosão de raiva ou paixão reprimida. Ao seu estilo simples e comedido, Jane Austen constrói pouco a pouco uma reaproximação entre o ex-casal que passa a frequentar o mesmo circulo social onde ninguém faz a mínima ideia dessa grande história do passado.

Anne passa boa parte da narrativa como uma expectadora que redescobre seus sentimentos por Wentworth e ao mesmo tempo precisa guardá-los em seu intimo enquanto o assiste cortejar outras jovens e ser praticamente venerado por todos que o cercam, já que além de ser um homem muito bonito, Wentworth transformou-se em sinônimo de dinheiro e prestígio dentro da marinha britânica.

No fim das contas, o leitor torce por um grande reviravolta e aproximações maiores entre o ex-casal que passa boa parte da trama se “suportando” em nome das boas maneiras. Ambos tentam o tempo inteiro esconder a paixão que ainda sentem pelo outro e isso fica cada vez mais evidente na maneira como Anne parece querer sair do seu casulo de mulher comedida e no modo como o capitão Wentworth responde à cada uma das ações da protagonista.

“Ele não podia perdoá-la, mas não podia ser insensível. Embora a condenasse pelo passado e a julgasse com profunda e injusta mágoa, embora sem nenhum interesse por ela e embora começasse a gostar de outra, ele não conseguia vê-la sofrer sem desejar reconfortá-la. Era o que restava de um velho sentimento

“Persuasão” é sem dúvidas, mais uma grande obra prima da esplendorosa Jane Austen. O último romance da autora britânica, é sem dúvidas, um excelente exemplo de como uma bela história de amor deve ser. Misturando o seu habitual retrato das classes mais abastadas de sua época, com uma mocinha interessante e um lindo romance, Austen nos entrega uma história maravilhosa sobre a espera, o arrependimento e acima de tudo, o perdão.

Pode até não ser uma das leituras mais fáceis.Mas pouco a pouco a escrita de Austen fisga o leitor e num dado momento da história é impossível querer largar o livro e parar de torcer por um final feliz entre a fofa protagonista e o apaixonante capitão Frederick Wentworth. Recomendadíssimo.

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