50-Tons-de-Cinza-cartaz-11nov2014-01

Sim eu estou ansiosa pela estreia de 50 tons de cinza. E não, não é porque sou fã do casalzinho protagonista. Confesso que lá pelos idos de 2012, quando os livros de E. L James fizeram um sucesso estrondoso, li o trio que compõe a serie com uma rapidez instantânea. Naquela época, eu não sabia definir muito bem o meu sentimento por aquela história. Para falar a verdade eu era uma colegial confusa que ainda não sabia muito bem o real papel da mulher na sociedade.

Você deve estar pensando, mas Thati, só se passaram dois anos e meio… sim só se passaram dois anos e meio, mas de lá para cá muita coisa aconteceu. Conheci os privilégios e as responsabilidades da maioridade, entrei numa faculdade de Psicologia e me descobri completamente envolta com o feminismo. Quando tinha 16/17 anos eu já tinha certos conceitos feministas na minha mente, mas eu ainda não sabia realmente o que era aquele movimento e porque eu, uma garota branca, magra e de classe média deveria me engajar por aquela causa.

As coisas começaram a mudar quando comecei a ler mais sobre feminismo, quando descobri Simone de Beauvoir e tive uma aula incrivelmente esclarecedora sobre gênero. Lógico que eu ainda não sou expert no assunto, mas a cada dia que passa sinto que dou um passinho a mais na vontade de lutar pelo direito da mulher. Tanto que, mesmo na 5ª fase da graduação, já tenho plena certeza que o meu TCC será algo relacionando psicologia e feminismo.

Mas tá. O que tudo isso tem haver com 50 tons de cinza? Eu respondo: Quando alguém diz que e a história criada por E.L James é incrivelmente moderna, uma espécie de conto de fadas que revolucionou a forma como as mulheres se veem e se comportam dentro de seus relacionamento, estamos tendo um sério problema!

Eu também acreditava que 50 tons era só um livro de entretenimento e que era bobagem criticar tanto uma coisinha tão sem importância. Realmente, o livro é de entretenimento, mas a partir do momento que jovens meninas, assim como eu em 2012, entram em contato com uma história que traz um conceito de homem ideal fixada num cara possessivo, desrespeitoso e machista, esse não é um simples livrinho. O problema não é ler 50 tons de cinza. O problema é ler e acreditar que o homem ideal tem que ser exatamente como Christian Grey. Tem que ser aquele cara poderoso, confiante, que te influencia a fazer coisas que você não quer e que te trata como um objeto, uma verdadeira propriedade, dando a simples desculpa de que ele tem traumas mal resolvidos de infância! (Oh coitadinho! #SQN). O problema é acreditar que para “encontrar o amor” você precisa ser doce, meiga e submissa.

50 tons de cinza não é moderno. 50 tons de cinza não é sobre BDSM. 50 tons de cinza é uma história velha e clichê travestida de romance moderno! Sabe aqueles livrinhos de banca com nome de personagens? Como “Sabrina”, “Bianca” e “Julia”? Pois é… 50 tons de cinza é simplesmente mais uma dessas histórias que esfregam na cara da sociedade que as mulheres precisam encontrar um macho dominador para se sentirem completas! Ou seja, para se sentirem MULHERES! E caso você ainda tenha dúvidas sobre BDSM, dê uma lida nesse texto da Jarid Arraes onde ela explica exatamente o que essa sigla significa e dê uma atenção ainda maior para o tópico onde ela relaciona a prática com a ideia de machismo que está intrinsecamente arraigada a história de 50 tons de Cinza.

Enfim. Vou assistir 50 tons de cinza simplesmente para ter certeza de tudo que eu levantei nesse texto. E claramente, para comparar a Thatiane de 2012 com a Thatiane de 2015. Vale lembrar que eu não tenho NADA contra as “polêmicas” cenas de sexo, caso alguém pretenda levar a discussão para esse lado… Muito pelo contrário, eu acho interessante que uma obra de literatura exponha uma coisa tão natural do ser humano, mas não apoio uma história se agarrar a isso de forma misógina e machista como em 50 tons de cinza. Sinceramente, me assusta perceber quantas pessoas (mulheres, principalmente) se sentiram tocadas e mudadas por essa história!

Anúncios