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“Simplesmente Acontece” tinha absolutamente tudo para ser mais uma comédia romântica clichê. Mas com o tom e a narrativa certa, a história criada por Cecilia Ahern é capaz de despertar uma gama de emoções a qualquer um que entre em contato com ela.

Li o livro, que foi relançado no ano passado pela Novo Conceito, no comecinho de 2015 e desde então aguardava ansiosamente pelo lançamento do filme (que nos EUA estreou em outubro de 2014, mas aqui no Brasil só chegou março desse ano…). Ontem, finalmente assisti ao filme e por conta disso, decidi escrever um pouquinho sobre as minhas impressões quanto ao livro e obviamente a sua fofa adaptação cinematográfica.

Mas vamos por partes. “Simplesmente Acontece” conta a história de Rosie e Alex, dois grande amigos de infância (amigos meeesmo) que desde sempre compartilharam absolutamente tudo, menos os verdadeiros sentimentos que desde muito cedo, passaram a sentir pelo outro. Na verdade, apesar de todos já terem percebido que eles nasceram para ser um casal, os dois não conseguem “admitir” que sentem algo muito além de um mero amor fraternal. Obviamente o tempo passa, eles se separam, quando Alex se muda com a família, mas através dos anos e dos turbilhões de acontecimentos da adolescência,  conseguem manter a amizade firme e forte. No fim das contas, os dois acabam aprendendo a viver sem a companhia do outro, e a medida que o tempo passa e as vidas deles começam a seguir rumos completamente distintos, Rosie e Alex finalmente percebem que pode haver algo a mais ali. O problema é que o destino parece gostar de se divertir e por incrível que pareça, um casal que tem tudo para dar certo, simplesmente não conseguem ficar juntos!

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SIMPLESMENTE_ACONTECE_1408644221BSobre o livro: “Simplesmente Acontece” é um romance epistolar. Ou seja, toda a narrativa nos é contada através de cartas, bilhetes, e-mails e mensagens. Confesso que apesar de ter lido poucos livros deste gênero, sou apaixonada por esse tipo de narrativa. É extremamente instigante descobrir como se desenrolaram os encontros e desencontros dos protagonistas através da própria escrita deles, endereçada não só um ao outro, mas a outros personagens que acabam servindo como grande intermediários nessa grande conexão entre o casal protagonista.

Outro ponto interessante é que a autora, conseguiu criar uma linha do tempo condizente com os meios de comunicação mais utilizados na época em que a história se passa, já que o livro acompanha Rosie e Alex da infância até a vida adulta. E apesar de grande (448 páginas) o livro, justamente pelo tipo de narrativa que apresenta, flui de uma maneira tão natural que é muito difícil não terminá-lo em pouquíssimo tempo. (Confesso que ao terminar, foi inevitável não sentir um “gostinho de quero mais”) .

No início, a história me lembrou “Um Dia” do David Nicholls, que eu nem preciso dizer que é um dos meus livros favoritos da vida. Mas à medida em que avançamos a leitura, fica bem claro que apesar da mesma premissa (dois amigos que se apaixonam) os livros seguem rumos completamente diferentes. O que só reforça a ideia de que qualquer história pode ser contada e recontada sem parecer igual, pelo simples fato de que há “n” maneiras de narrar o mesmo fato.

“Simplesmente Acontece” é um livro leve, romântico, divertido e extremamente simples. Como o próprio nome sugere, a vida acontece para cada um dos protagonistas e é justamente esse cotidiano repleto de acasos e desencontros que fazem a história de Alex e Rosie ser tão apaixonante! Sem dúvidas, uma leitura mais do que recomendada!

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051042Sobre o filme: a adaptação cinematográfica segue a mesma linha “intimista” do livro, mas obviamente com algumas modificações aqui e acolá. Não sou nenhuma especialista em cinema, então me sinto um pouco tímida em falar sobre temas técnicos, mas preciso confessar que a fotografia do filme me encheu os olhos, assim como a trilha sonora que é um caso a parte.

Quanto a escolha dos atores, não tive nenhuma dificuldade em aceitar Lily Collins e Sam Claffin nos papéis principais. Aliás, acho que ambos conseguiram transmitir a essência de ambos os personagens (não que haja algo muito profundo a ser representando), mas as características que eu vi em Alex e Rosie no livro, estavam ali, saltando da tela.

Acho uma perda de tempo classificar um livro melhor que o filme, ou vice-versa. Estamos cansados de saber que tratam-se de linguagens e em alguns casos, de públicos completamente diferentes. É obvio que o leitor se sente ultrajado quando uma obra que tanto aprecia é completamente deturpada nas telonas, mas o que acontece aqui, não chega a modificar absolutamente nada do humor e da leveza com que Cecilia Ahern nos apresentou á história do casal de amigos.

O grande barato do filme (e do livro também) não é se surpreender com a paixão de Alex e Rosie. Ela sempre esteve ali, mais do que presente. Mas é perceber o quanto algo que poderia ser tão fácil, acaba se tornando algo difícil de ser alcançado. Ou melhor, o quanto a vida e as escolhas que nós mesmos fazemos, atrapalha ou retarda alguns acontecimentos e obviamente muda completamente o curso de tudo aquilo que parecia tão certo.

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Como eu disse no começo do texto, tanto o filme, quanto o livro despertam uma gama de emoções nos expectadores/leitores. Não espere reviravoltas mirabolantes, reflexões profundas e personagens intrinsecamente complexos, mas prepare-se para rir, chorar, torcer e até mesmo se irritar com o belo e enrolado relacionamento de Alex e Rosie!

Ficha Técnica

{livro} Autora: Cecilia Ahern | Editora: Novo Conceito | Páginas: 448 | Título Original: Love, Rosie | Ano de Lançamento: 2014

{filme} Direção: Christian Ditter | Roteiro: Juliette Towridi | Duração: 102 minutos | Elenco: Lily Collins, Sam Claffin, Suki Waterhouse, Christian Cooke, Jaime Winstone, Tamsin Egerton | Título Original: Love, Rosie | Ano de Lançamento: 2014

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