Resenha: O Lado Bom da Vida – Matthew Quick

O_LADO_BOM_DA_VIDA_1391649995PTítulo Original: Silver Linings Playbook
Ano de Lançamento: 2008
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 255
Nota: 4/5

“O Lado Bom da Vida” foi um dos poucos livros que eu li depois de ter visto o filme. Sendo assim, iniciei a leitura da obra de Matthew Quick com as expectativas bem “delineadas” a respeito da história. A grande surpresa porém, foi perceber que apesar de lembrar de algumas passagens, quase toda a trama segue um rumo ou melhor dizendo, um ritmo bastante diferente do proposto na adaptação cinematográfica e por conta disso, um filme que parece ser algo extremamente bacana, se tornou um verdadeiro “massacre” de uma aventura literária que é muito mais completa, dinâmica e interessante.

“… a vida não é um filme de censura livre para fazer com que a pessoa se sinta bem. Muitas vezes a vida real acaba mal”

O livro é narrado sob o ponto de vista de Pat Peoples, um ex-professor de trinta e poucos anos que vê sua vida virar de cabeça para baixo desde que foi internado no que ele chama de “lugar ruim”. O primeiro capítulo é justamente a saída do protagonista dessa tal clínica e como tudo acontece através do ponto de vista dele, não fazemos a mínima ideia do que o fez ser internado e nem o motivo que levou Nikki, sua ex-esposa, a se afastar definitivamente da vida dele.

Pat está confuso e num momento delicado de sua vida. Por conta disso ele não consegue perceber que o seus problemas são sérios e que reconquistar Nikki não será uma tarefa muito fácil. Aliás, essa obsessão de Pat pela ex-mulher permeia boa parte da narrativa e o protagonista fica o tempo inteiro praticando gentilezas e mudando hábitos de vida para que Nikki veja o quanto ele a ama e o quanto ele é capaz de mudar por ela. O problema é que a tal ex-mulher não está nem aí e Pat segue surdo, cego e mudo na esperança de reaver a única que coisa que vale em sua vida: o seu casamento.

“…estou praticando ser gentil em vez de ter razão.”

Num dado momento da história, Pat conhece Tiffany, uma jovem viúva que tem problemas bem parecidos com o dele e que pouco a pouco, numa maneira bem avessa a habitual, acaba se tornando sua melhor amiga e confidente. Tiffany é sem dúvidas a melhor personagem da história. Espirituosa, sincera e mal-humorada ela realmente delimita os momentos mais interessantes da história criada por Matthew Quick.

Outros pontos que merecem destaque são sem dúvidas, as consultas de Pat com o seu terapeuta e os momentos em que o protagonista tenta comparar sua vida com a de alguns personagens de clássicos da literatura norte-americana. Por outro lado, achei extremamente cansativa algumas passagens insistentes sobre futebol americano (não tenho paciência) e a própria relação de Pat com o seu pai, que apesar de ser bem diferente e mais interessante que a mostrada no filme, deixou um pouco a desejar. Senti falta de um grande conflito ou um momento em que pudéssemos realmente conhecer verdadeiramente o rabugento Sr. Peoples.

De um modo geral, “O Lado Bom da Vida” é um livro extremamente bacana. À maneira leve como o autor explora a rotina de um homem bipolar, se mostra bastante interessante e eficiente. É um livro rápido, divertido e que em muitos pontos consegue levar o leitor a uma boa reflexão. Com uma narrativa excelente, personagens cativantes e um tema pouco explorado pela literatura, Matthew Quick nos entrega uma excelente história que fala sobre perdas, recomeços e aceitação. Recomendadíssimo!

Como disse anteriormente, a leitura do livro fez com que eu percebesse o quanto o filme deixou a desejar. Ainda assim, preciso dizer que as interpretações de Bradley Cooper e Jennifer Lawrence caíram como uma luva em Pat e Tiffany, e que apesar dos pesares eu realmente pretendo rever a adaptação cinematográfica só para confirmar a minha opinião 😉

Resenha: A Colcha de Despedida – Susan Wiggs

A_COLCHA_DE_DESPEDIDA_1366918143PTítulo Original: The Goodbye Quilt
Ano de Lançamento: 2013
Editora: Harlequin Brasil
Número de Páginas: 285
Nota: 3/5

“A Colcha de Despedida” é um livro repleto de momentos singelos. De uma maneira simples e arrebatadora, Susan Wiggs constrói através das páginas de seu romance, uma jornada que nos transporta para o aconchegante e temeroso coração de uma mãe.

Linda Davis é uma mulher na casa dos quarenta anos que precisa lidar com um dos momentos mais aterrorizantes de sua vida: a despedida de sua única filha, Molly, que está prestes a ingressar numa prestigiada Universidade à quilômetros de distância de sua pacata cidade natal.

Para nós esse “rito de passagem” geralmente funciona de uma maneira diferente, mas para a grande maioria dos jovens norte-americanos, ir para a faculdade significa sair do conforto da casa em que cresceram para viverem os primeiros anos de sua vida adulta num pequeno dormitório universitário.

Molly, obviamente, está ansiosa para a nova empreitada, sua mãe porém, vive o dilema de apoiar os sonhos de sua filha e ao mesmo tempo mandá-la para uma cidade nova e completamente desconhecida. Dessa forma Wiggs narra através do ponto de vista de Linda, os medos, anseios e desejos que uma mulher passa a vivenciar a partir do momento em que se torna mãe.

Os capítulos seguem justamente a viagem que mãe e filha fazem juntas para preparar a grande mudança de Molly. Por todo caminho, além de revelarem a si mesmas coisas que nunca imaginaram sobre a outra, Linda utiliza o seu grande dom para a costura para preparar um quilt (uma espécie de “colcha de retalhos”) que por rememorar cada “pedacinho” dos momentos mais importantes da vida de Molly, acaba sendo um “grande protagonista” dentro da história.

“Sempre achei que um quilt costurado com as lágrimas de uma mulher é o mais forte dos projetos”

“A Colcha de Despedida” é sem dúvidas um livro extremamente emocional. Para as mulheres que já se tornaram mães, seja talvez uma experiência ainda mais arrebatadora. Para mim porém, foi um pouco injusto não ter um capítulo narrado somente por Molly, já que em boa parte da história só conhecemos a personagem através da visão “apaixonada” de sua mãe, tendo apenas  pequenos lampejos de suas “verdades” através dos momentos de “embate” entre mãe e filha.

Outra coisa que me incomodou durante a narrativa, foi o final dado à história. Não que eu realmente esperasse uma grande reviravolta, o que me deixou realmente irritada, foi o grande e completamente desnecessário salto temporal que autora dá em sua história. Falar sobre isso sem dar um super spoiler é realmente difícil, por isso, me limito a dizer que a “grande conclusão” do livro não necessitava dessa grande passagem de tempo. Muito pelo contrário, a escolha da autora pareceu forçada e abriu muitas brechas para algumas explicações que um final sem esse recurso jamais pediria.

De modo geral, é uma bela história. Não é o livro da minha vida, mas serviu para reforçar não só os meus laços com a minha mãe, mas a própria força que esse tipo de relação sempre possuiu. Não há nada mais duradouro e verdadeiro que o amor de uma mãe pelo seu filho, e Linda é justamente o retrato de todas essas mulheres fortes que abdicam muito de suas vidas para proporcionarem o melhor a seus descendentes.

Para quem gosta de livros delicados, com temas familiares e algumas pequenas lições, “A Colcha de Despedida” é a pedida certa para essas tardes frias e tediosas dos últimos dias. 😉

Resenha: Garotas de Vidro – Laurie Halse Anderson

garotasdevidroTítulo Original: Wintergirls
Ano de Lançamento: 2012
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 272
Nota: 5/5 ❤

Sabe um livro que te prende, surpreende e impressiona? “Garotas de Vidro” da autora Laurie Halse Anderson é tudo isso e mais um pouco.

Não é segredo para ninguém que eu adoro livros que tratam de temas um tanto quanto “pesados”, que trazem a tona histórias que mexem com o psicológico e por incrível que pareça são mais comuns do que imaginamos. “Garotas de Vidro” não é um livro fácil. Seu mote principal são os transtornos alimentares, e a narrativa densa e propositalmente confusa só ajuda o leitor a entrar de cabeça nos pensamentos de uma jovem obcecada pela magreza.

Numa sociedade onde nos sentimos pressionadas a seguir o padrão de beleza, doenças como a Anorexia e a Bulimia Nervosa infelizmente se tornaram transtornos comuns. É através da protagonista de “Garotas de Vidro” que adentramos de maneira surpreendente no mundo estritamente disciplinado e obcecado de uma dessas jovens mulheres frágeis, geladas e quebráveis que dia após dia pagam com a própria vida o preço para alcançarem a inatingível perfeição.

“Quarenta quilos e trezentos gramas. Eu poderia dizer que estou animada, mas seria mentira. O número não importa. Se eu chegasse a 32, iria querer 29. Seu pesasse 4,5 quilos, não ficaria feliz até chegar aos 2,25. O único número que seria suficiente é 0. Zero quilos, zero vida, tamanho zero, zero duplo, zero e ponto. Zero é sinônimo de estar pronto para tudo. Agora eu entendo.”

Lia tem apenas dezoito anos, mas já passou boa parte da vida carregando o fardo de não aceitar seu próprio corpo. No auge da sua doença (a anorexia nervosa), ela descobre que Cassie, sua melhor amiga (que também sofria de transtornos alimentares) foi encontrada morta num quarto sujo de motel. O pior de tudo é que antes de morrer a garota ligou para a amiga, nada mais nada menos que 33 vezes!

Sentindo-se sozinha e culpada, Lia começa a afundar cada vez mais na sua obsessão pela magreza. E por mais que a sua família tente ajudá-la a enfrentar seus fantasmas, nada parece ser capaz de trazer de volta a jovem que Lia era antes de apostar com Cassie quem seria a garota mais magra da escola.

“Garotas de Vidro” é um livro angustiante. Ao mesmo tempo em que conhecemos mais sobre a anorexia, afundamos junto com Lia no turbilhão de pensamentos, imposições e fantasias que passam pela sua cabeça. A autora faz um certo mistério sobre a verdadeira causa da morte de Cassie e isso faz com que Lia tenha alucinações com a melhor amiga, e fique cada vez mais perdida em seu próprio mundo, sem saber o que é realidade e o que não é.

“Berram comigo porque eu não consigo ver o que elas veem. Ninguém consegue me explicar porque meus olhos funcionam de um jeito diferente. Ninguém consegue impedir isso”

Laurie Halse Anderson mergulhou de cabeça nos transtornos alimentares e o resultado é um retrato fiel e doloroso desses problemas. Lia tem consciência de sua doença, sabe que está ficando cada vez mais magra, mas não consegue parar. Não consegue se enxergar como uma “morta-viva” porque tudo que ela vê no espelho é uma garota gorda e infeliz.

Os transtornos alimentares são um dos problemas mais difíceis de se tratar. O psicológico de uma anoréxica ou bulímica é algo extremamente complexo. Os olhos não conseguem ver o que seu cérebro já conseguiu enxergar. É um eterno dilema, uma compulsão, uma obsessão por um desejo que nunca será satisfeito.

“Garotas de Vidro” é de longe um dos melhores livros que li nos últimos anos. Lia tinha tudo para ser uma garota como as outras, principalmente por ter uma família que apesar dos problemas, tenta a todo momento apoiá-la, mas sua doença a impede de viver sua própria vida, de seguir seus próprios pensamentos e revelar o que realmente sente para aqueles que a amam (a relação de Lia com a família, aliás, é um dos pontos mais legais desse livro. Laurie foi tão afundo em sua pesquisa que conseguiu criar personagens extremamente verossímeis)

À primeira vista pode parecer um livro difícil, mas apesar da narrativa diferente e da realidade escancarada que a história traz, é uma obra que vale muito a pena. Não só para aqueles que assim como eu, se interessam pelo tema e estudam sobre ele, mas para qualquer outra pessoa. Sem dúvidas, um “choque de realidade” que todos deveriam ler.

Os livros da minha vida

Não sei se isso é uma tag ou quem teve essa ideia um tanto quanto cruel, mas como gosto de brincadeirinhas que envolvam livros resolvi postar aqui no blog a minha resposta para a seguinte situação:

trêslivros

Bom como eu já disse é realmente cruel escolher três livros, mas depois de muito pensar eis a minha seleção:

1. O Morro dos Ventos Uivantes da Emily Brontë
Esse é de longe o livro que mais marcou a minha vida literária. Já perdi as contas de quantas vezes o li e provavelmente nunca vou saber ao certo, já que sempre tenho vontade de reler essa obra prima. “O Morro dos Ventos Uivantes” é uma história densa, cheia de sofrimento e personagens que não podem ser classificados nem como mocinhos, nem como vilões. Não sei explicar a relação que eu tenho com esse livro que sempre me desperta as mais variadas emoções. A única coisa que eu sei é que eu poderia tranquilamente passar a vida lendo e relendo essa história.

2. Repação do Ian McEwan
McEwan é um gênio. Quem ainda não leu algo desse cara realmente não sabe o que está perdendo. Aliás, “Reparação” é o auge do talento desse autor. Sabe aquele livro que tem uma narrativa extremamente original e uma história que vai sendo apresentada aos poucos até finalmente chegar num clímax incrível e terminar de uma maneira que muda completamente todo o panorama que você já tinha feito da trama ao longo da leitura? Enfim… “Reparação” não poderia estar fora dessa lista.

3. Orgulho e Preconceito da Jane Austen
Por fim, eu escolheria “Orgulho e Preconceito” que diferentemente das escolhas acima, é um livro leve e tem uma das protagonistas mais legais da face da terra. Sério, Jane Austen é uma das minhas escritoras favoritas e eu não poderia finalizar essa lista sem escolher um livro dela.

E vocês? Que livros escolheriam?

Foto: Leitores Anônimos

Resenha: Entre o Agora e o Nunca – J.A Redmerski #1

entreoagoraeonuncaTítulo Original: The Edge of Never
Ano de Lançamento: 2012
Editora: Suma das Letras
Número de Páginas: 368
Nota: 3/5

Mesmo não tendo um gênero literário favorito, nunca dispensei um bom romance. Sim, eu admito que boa parte da minha “formação literária” veio das historinhas de amor mais água com açúcar que existem. A grande questão é que mesmo sendo uma eterna romântica incurável, ultimamente tenho andado numa vibe “anti-romances”. Não que eu estivesse boicotando esse tipo de história, mas sabe quando você percebe que não está no clima para ler algo que no fim das contas você já leu diversas e diversas vezes? Pois é. Eu estava justamente nesse momento nada romântico, quando a minha querida TBR Jar (que pra quem não sabe é uma forma bem fofa de escolher sua próxima leitura) aprontou uma daquelas comigo: sorteou um livro de romance!

“Entre o Agora e o Nunca” fez bastante barulho quando lançado. Vi inúmeras críticas positivas e por mais que eu soubesse que uma hora ou outra eu ia querer ler aquela história, sempre adiava esse momento, até que por força do destino ou do acaso (chamem como quiser) entrei de cabeça na história de amor da Camryn e do Andrew.

Para quem não sabe um breve resumo: o livro conta a história da Camryn Bennet uma garota de 20 anos que não anda num bom momento. Além de ter que superar a trágica morte do seu namorado, Cam viu o seu irmão mais velho ir preso, seus pais se separarem e sua melhor amiga a abandonar. Triste, abalada e ao mesmo tempo pronta para recomeçar, a jovem decide que é a hora de jogar tudo para o alto e pegar um ônibus rumo ao primeiro destino que lhe viesse a cabeça. E é justamente nesse momento de “liberdade” que Camryn conhece e se apaixona por Andrew Parrish um garoto misterioso e tão cheio de problemas quanto ela.

Não sei o que estou fazendo ou aonde estou indo, mas sei que quero fazer seja lá o que for de verdade, e quero chegar logo” ~ Camryn Bennet

“Entre o Agora e o Nunca” é aquela velha fórmula da garota cheia de problemas que encontra o garoto cheio de problemas e de alguma forma os dois se completam. Camryn e Andrew são extremamente cativantes e a alternância de narrativa entre os dois é justamente um dos pontos fortes desse livro. J.A Redmerski conseguiu imprimir personalidade a seus protagonistas e a história deles, cumpre bem o seu papel instigando o leitor a continuar a sua leitura.

Mas sabe quando você sente que falta algo? O livro é bonitinho, o leitor quer saber o que vai acontecer, torce pelo romance dos protagonistas, mas… faltou alguma coisa que realmente me fizesse suspirar por aquela história. Além disso, “Entre o Agora e o Nunca” é previsível e está recheado de clichês. Isso não é necessariamente uma coisa ruim. Afinal de contas, todos nós esperamos algo de romances (e os new adults não deixam de ser aqueles típicos romances que estamos acostumados a ler), mas o último capítulo do livro foi uma coisa tão incômoda que eu cheguei a questionar a razão da autora ter criado todo um conflito para simplesmente liquidá-lo na página seguinte.

Não sei bem o que eu quero, mas sinto no fundo do meu estômago. Está ali, dormente. Quando encontrar, vou saber o que é” ~ Andrew Parrish

Me desculpem os fãs do livro, mas J.A Redmerski poderia ter terminado a sua história no penúltimo capítulo. Seria mais denso, menos fantasioso e uma “desculpa” muito melhor para lançarem um segundo volume da história (que apesar dos pesares eu ainda pretendo ler).

“Entre o Agora e o Nunca” não foi o melhor livro do ano e nem vai ser aquele que vai ficar marcado para sempre na minha memória. Mas é uma leitura prazerosa e se você gosta de romances bonitinhos (e está num bom momento para isso) com toda certeza irá se encantar com a história de Camryn e Andrew!

Os livros da duologia:
1 – “Entre o Agora e o Nunca”
2 – “Entre o Agora e o Sempre”

E se virasse filme?

Com essa verdadeira overdose de livros sendo adaptados para o cinema está praticamente impossível ler alguma coisa sem imaginar que ator ou atriz seriam perfeitos para dar vida aos personagens da história que você está lendo. Pensando nisso, decidi fazer uma brincadeirinha e selecionei cinco pessoas que praticamente nasceram para interpretar os protagonistas de alguns livros que li nos últimos anos:

Emma Stone como Rosie de “O Projeto Rosie”

emmaoprojetorosieA Rosie de “O Projeto Rosie” é ruiva, fofa, divertida, atrapalhada e super alto astral. Ou seja, extremamente parecida com as personagens que a Emma Stone costuma interpretar no cinema. Juro por Deus que por mais que eu quisesse, seria difícil pensar em uma outra atriz que se encaixe tanto numa personagem. Emminha nasceu para ser a Rosie e ponto final. Só espero que se um dia “O Projeto Rosie” virar filme (tá merecendo viu!) os produtores tenham a decência de pensar bem parecidinho comigo! haha

Clare Bowen como Camryn de “Entre o Agora e o Nunca”

clarecam

Clare Bowen não é lá muito conhecida, ela é uma das protagonistas de Nashville uma da séries que eu mais amo nessa vida, mas foi justamente a semelhança dela com a Camryn de “Entre o Agora e o Nunca” que me fez pensar em fazer esse post. Ela é linda, loira, meiga e… usa trancinhas! Sem contar que assim como a Cam, ela tem uma voz tímida e doce (e canta The Civil Wars!). Enfim, toda a vez que olho para a Clare, tenho certeza absoluta de que a autora do livro se inspirou nela para criar sua protagonista…

Johnny Depp como Carson de “Souvenir”

johnnycarson

Em “Souvenir” (um dos meus livros favoritos da vida), Carson é um astro do rock quarentão, cheio de tatuagens e super sexy. Ou seja, Johnny Depp cairia como uma luva no personagem caso a história fosse adaptada para o cinema.

Amanda Seyfried como Sophie de “A Luz Através da Janela”

amandasophie

A bela Sophie de “A Luz Através da Janela” é uma jovem que apesar de cega, possui belos pares de olhos verdes. Sensível para as artes e romântica, ela acaba vivendo uma trágica história de amor em plena Segunda Guerra Mundial e é de longe uma das melhores personagens desse livro incrível da Lucinda Riley. E adivinhem. Mais uma vez, enquanto lia o livro, não conseguia imaginar Sophie com outro rosto senão o de Amanda Seyfried! Aliás, esse e qualquer livro da titia Lucinda virariam filmes absolutamente maravilhosos (e se isso acontecer, porque não considerar Amandinha como a Sophie?)

Sam Claflin como Príncipe Maxon de “A Seleção”

sammaxon

Posso estar viajando legal, e nem sei se a descrição de um bate com a do outro, mas não seria uma coisa fofa ver o lindo do Sam Claflin interpretando o Príncipe Maxon numa adaptação de “A Seleção”? Juro que tanto no primeiro, quanto no segundo volume da série eu só conseguia pensar numa coisa: Sam tem que ser o Maxon (pelo menos na minha adaptação imaginária, porque pelo visto o tal filme ou série sobre os livros nunca vai sair do papel…)

Piração total esse meu post. Eu sei. Adoro divagar sobre isso. Mas me digam o que acharam. (E ignorem minhas montagens toscas!) Concordam com as minhas escolhas? Também pensam em atores perfeitos para interpretar os personagens dos últimos livros que leram?

Resenha: Insurgente – Veronica Roth #2

INSURGENTETítulo Original: Insurgent (Divergent 02)
Ano de Lançamento: 2013
Editora: Rocco
Número de Páginas: 509
Nota: 4/5

Sem spoilers do livro anterior

“Insurgente” é o segundo volume da série “Divergente” e começa exatamente onde o primeiro livro terminou. O que logo se mostra um problema. Apesar de ser interessante a forma ágil que a autora escolheu para dar continuidade a sua história, a falta de uma grande recapitulação deixa o leitor bastante perdido não só na tentativa de identificar alguns personagens, mas nas várias situações em que precisamos relembrar detalhes importantes da trama do primeiro volume. Se eu que li “Divergente” a pouco mais de um mês, tive dificuldade em acompanhar esse início, imaginem o problema de quem esperou muito mais tempo para começar a ler “Insurgente”.

Ainda assim, apesar de alguns pontos negativos, posso dizer que “Insurgente” preencheu as minhas expectativas. Diferente do primeiro livro, neste volume Veronica Roth investiu muito mais nas cenas de ação e a cada capítulo fez questão de inserir uma nova problemática que mudava totalmente o rumo em que as coisas estavam tomando. Quando você imaginava que algo estava certo, a narrativa traz uma nova reviravolta e muda completamente o panorama da história. Aliás, por falar em agilidade, a autora não teve medo nenhum em matar de maneira rápida e certeira vários personagens que eu jurava que teriam uma vida mais longa dentro da série. Na mesma medida, ela insere novos nomes à trama e contribui página a página para esse universo de tensão e perigo que permeia toda a história de “Insurgente”.

“Insurgente. Substantivo. Uma pessoa que age em oposição à autoridade estabelecida, mas que não é necessariamente considerada agressiva”

Tris continua sendo a narradora da história, mas dessa vez mergulhar de cabeça nos pensamentos da protagonista não foi nem um pouco interessante. Lembro que uma das coisas que eu mais gostei em “Divergente” foi justamente a personalidade da mocinha da história. Tris era forte, decidida, corajosa e nem um pouco irritante. O problema é que com os acontecimentos traumáticos do fim do primeiro volume, ela passa o livro inteiro se lamuriando pelas atitudes que teve que tomar e não dá um passo sem relembrar o quão mal ela está lidando com toda a situação. E sendo bem sincera, eu nem consigo mensurar o quanto isso me incomodou. Tudo bem, eu reconheço que no lugar dela eu também teria alguns fantasmas para lidar, entretanto existem mil maneiras de demonstrar esses sentimentos e Veronica Roth perdeu uma boa oportunidade de firmar a personalidade forte de sua protagonista.

Por outro lado, uma das coisas que eu mais gosto nessa trilogia é o fato de pelo romance da Tris com o Quatro não ser o centro da história, todos os momentos românticos eles entre eles acabam sendo muito bem vindos, pois servem como uma espécie de suavização para o lado mais tenso da trama. Em “Insurgente” a relação deles parece mais madura e por mais que o ponto de vista da Tris faça com que o leitor fique no “escuro” por um longo tempo até que a autora “explique” certas atitudes do Quatro, o garoto continua sendo um dos personagens com a personalidade mais bem moldada e com um lado psicológico interessante a ser abordado.

Descobri que as pessoas são formadas de camadas e mais camadas de segredos. Você pode achar que as conhece, que as entende, mas seus motivos estão sempre ocultos, enterrados em seus próprios corações. Você nunca as conhecerá de verdade, mas ás vezes decide confiar nelas”

“Insurgente” cumpre muito bem o seu papel ao exaltar a essência de uma distopia e trata com mais profundidade os temas recorrentes nesse tipo de livro. Fiquei bastante satisfeita com o modo como Veronica Roth trouxe mais explicações sobre o mundo que a Tris vive e a maneira inteligente com que ela amarrou a sua história e apresentou algumas facções que ainda não haviam sido tão exploradas pela trama.

De modo geral, “Insurgente” traz grandes perspectivas para o desfecho da série, principalmente depois da reviravolta surpreendente do último capitulo. Essa surpresa, aliás, explica muitas coisas da própria “mitologia” da série e fecha algumas lacunas que eu já estava começando a acreditar que eram pura licença poética da autora.

Em suma, o segundo volume da trilogia se mostrou um bom livro e apesar de alguns pontos negativos que me incomodaram mais do deveriam, eu não consigo desgostar dessa série. A prova disso é que eu estou mais do que ansiosa para ler “Convergente” e finalmente descobrir o impacto que a grande revelação feita em “Insurgente” terá no desfecho dessa história!

Os livros da trilogia:
1 – “Divergente” | Resenha
2 – “Insurgente”
3 – “Convergente”

Resenha: As Violetas de Março – Sarah Jio

asvioletasdemarçoTítulo Original: The Violets Of March
Ano de Lançamento: 2013
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 304
Nota: 4/5

Emily Wilson é uma escritora em crise. Com o fim de seu casamento que até pouco tempo parecia um conto de fadas e um bloqueio criativo que já dura anos, Emily decide seguir o conselho de sua melhor amiga, Anabelle, e viajar para um lugar tranquilo onde ela finalmente tivesse a chance de se reorganizar e obviamente se recuperar dos últimos acontecimentos de sua vida.

No primeiro dia de março, a escritora deixa Nova York rumo a casa de uma tia na paradisíaca Bainbridge Island – uma ilha nos arredores de Seattle onde ela costumava passar os verões de sua infância. Sua tia, Bee, é uma mulher viúva que há anos vive sozinha num casarão na beira da praia e apesar de nunca ter tido filhos, sempre manifestou um carinho maternal por Emily.

Logo nos primeiros dias, a protagonista relembra histórias do passado, reencontra um antigo namorado e descobre um fascinante diário que conta a história do amor proibido de Esther e Elliot, um jovem casal que possivelmente viveu na ilha na longíqua década de 1940 e parece estranhamente conectado às raízes da própria Emily em Bainbridge Island.

“Porque uma história de 1940, de alguém sobre quem eu nada sabia, teria qualquer relevância para minha vida? Como seria possível? Nada daquilo fazia sentido, mas em algum lugar em meu coração eu estava começando a sentir que talvez fizesse.”

À medida em que avança a história do diário, Emily fica cada vez mais envolvida com a ilha e com o seu próprio amadurecimento começa a perceber que aquele pequeno lugar esconde muito mais segredos que ela poderia imaginar. A história de Esther e Elliot parece mexer não só com a protagonista, mas com sua tia Bee que esconde mágoas do passado e alguns outros personagens que surgem ao longo da história, como Evelyn, a melhor amiga de Bee , Henry um senhor que parece ter algum tipo de história mal resolvida com a tia de Emily e o jovem Jack, um pintor que ao longo da narrativa se torna o interesse amoroso da protagonista, mas assim como os outros habitantes da ilha parece interligado a alguma consequência da história de Esther e Elliot.

“As violetas de março” é um livro repleto de mistérios e segredos de família. Cada capítulo traz uma nova informação e a ansiedade para descobrir os desfecho da história de amor do casal do diário, bem como a relação que os personagens da atualidade tem com aqueles jovens da década de 1940, tornam-se os principais motivos para que o leitor queira devorar página por página.

“A ilha da minha infância havia sido exposta a tantas tempestades que agora estava sombria com os seus segredos

Sarah Jio possui uma narrativa ágil, e os personagens por mais pequenos que possam parecer possuem papel fundamental no desfecho de cada um dos segredos apresentados ao longo da trama (apesar de alguns terem me decepcionado profundamente com as escolhas que fizeram).

O livro sem sombra de dúvidas é encantador, e em muitos momentos me fez lembrar das histórias da Lucinda Riley, que como vocês sabem é uma das minhas escritoras contemporâneas favoritas. O grande problema, porém, foi a rapidez com que a autora acabou resolvendo algumas questões e as explicações que ela acaba dando para fechar as pontas de alguns mistérios. Falar sobre isso sem dar um grande spoiler é um pouco difícil. Mas para exemplificar melhor, diria que em alguns momentos, fiquei incomodada com as saídas fáceis que Sarah Jio pareceu tomar para explicar alguns dos segredos que são sustentados ao longo de toda a trama.

Fora isso, “As Violetas de Março” se mostrou um livro leve, ágil, instigante e que cumpre muito bem o papel a que se propõe. A editora Novo Conceito está de parabéns pela belíssima capa e a diagramação que é repleta de detalhes que dão um “gostinho” da primavera em Bainbridge Island, e para quem gosta de romance, segredos de família e uma história que fala sobre amor, fé, amizade e as consequências de cada uma das nossas escolhas, o livro é sem sombra de dúvidas uma excelente pedida!

Resenha: A Princesa Leal – Philippa Gregory

A_PRINCESA_LEAL_1310114398PTítulo Original: The Constant Princess
Ano de Lançamento: 2005
Editora: Record
Número de Páginas: 445
Nota: 5/5

“Nasci infanta de Espanha e vou morrer rainha da Inglaterra. Não se trata de escolha, é o meu destino

Catarina de Aragão será eternamente lembrada como a rainha que foi destituída de sua posição pelo próprio marido e cruelmente trocada pela jovem e audaciosa Ana Bolena. Em “A Princesa Leal“, entretanto, a autora britânica Philippa Gregory faz um retrato muito além da clássica história da primeira esposa de Henry VIII. Dotada de um grande talento para reescrever fatos históricos de maneira romanceada, Gregory nos entrega uma história poderosa sobre uma mulher que desde a infância sabia qual era o seu destino e por ele enfrentou inúmeros obstáculos.

Filha dos reis católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão, Catarina (do espanhol Catalina) cresceu vendo os seus pais lutarem contra os mouros e viveu num reino que fortemente influenciado pela cultura oriental prezava a beleza e a natureza de uma forma bem diferente da maioria dos países europeus da Idade Média. Como qualquer princesa da época, Catarina foi prometida ainda na infância a um casamento que firmaria uma aliança entre reinos, nesse caso Espanha e Inglaterra.

Sendo assim, ao completar quinze anos a princesa espanhola deixa seu país rumo a Inglaterra onde se casa com Artur Tudor, o jovem herdeiro do trono inglês. Catarina estava caminhando para aquilo que cresceu ouvindo: ela seria rainha da Inglaterra, mas antes mesmo de completar o seu destino ou gerar um herdeiro para a Casa Tudor, Artur morre e deixa a jovem infanta da Espanha viúva após escassos cinco meses de união.

Dotada de um grande espirito guerreiro e genuinamente determinado, Catarina luta contra tudo e contra todos na fixa ideia de manter a sua posição de futura rainha da Inglaterra. Para isso ela insiste em dizer que seu casamento com Artur não foi consumado e trama um novo matrimônio, desta vez com seu cunhado Henry que com a morte do primogênito dos Tudor se torna o novo herdeiro do trono inglês. O caminho até o casamento obviamente não é fácil, e a jovem infanta da Espanha enfrenta diversos obstáculos, inclusive uma longa espera de sete anos num castelo em ruínas e completamente esquecida pelos reis inglês e espanhol, até finalmente se casar com Henry, o futuro Henry VIII que era seis anos mais jovem do que ela.

Não vou me entregar ao sofrimento, vou me entregar à Inglaterra. Manterei minha promessa. Serei fiel ao meu marido e ao meu destino. E planejarei, tramarei e pensarei em como derrotar o infortúnio e ser o que nasci para ser. Como serei a pretendente que se torna a rainha”

Com uma narrativa única e extremamente envolvente, Phillippa Gregory cria o cenário perfeito para a história de uma das mais célebres rainhas da história da Inglaterra. Apagando definitivamente  a imagem da mulher religiosa, envelhecida e completamente fora dos padrões de beleza da época, a autora nos mostra uma jovem Catarina decidida e muito parecida com sua mãe, Isabel de Castela que é conhecida por ser um verdadeiro soldado, uma mulher que não se limitava ao papel da rainha solene e obediente que estamos acostumados a imaginar.

“A Princesa Leal” é um livro completo em todos os aspectos. Com uma história extremamente rica e uma protagonista repleta de nuances, Philippa Gregory construiu um romance instigante, pungente e dramático sobre a vida e a obra de uma mulher que se entregou ao seu destino e não desistiu de seus ideais, lutando fielmente pelos seus objetivos e pela promessa que fez á seu país, à Inglaterra, ao homem que amava e principalmente a si mesma.

O livro que faz parte de uma série que mistura ficção e realidade ao contar histórias sobre os principais nomes da dinastia Tudor, fez com que eu realmente conhecesse a essência da verdadeira Catarina de Aragão e finalmente conseguisse olhar a sua trajetória com os olhos da própria rainha.

Sem dúvidas, “A Princesa Leal” já tem o seu lugar cativo na minha estante se você assim como eu é um grande fã de histórias sobre realeza (ainda mais quando essas histórias revelam uma Europa longínqua e um dos episódios mais fascinantes da trajetória inglesa) não espere muito para se deliciar com o livro que com toda certeza foi uma das minhas melhores leituras dos últimos tempos.

“Era o desejo de minha mãe e a vontade de Deus que eu fosse rainha da Inglaterra, e serei rainha da Inglaterra até morrer

Os livros da série Tudor (em ordem cronológica)
1 – “A Princesa Leal”
2 – “A Irmã de Ana Bolena”
3 – “A Herança de Ana Bolena”
4 – “O Bobo da Rainha”
5 – “O Amante da Virgem”
6 – “A Outra Rainha”

Resenha: Divergente – Veronica Roth #1

Título Original: Divergent
Ano de Lançamento: 2012
Editora: Rocco
Número de Páginas: 502
Nota: 4/5

Vou começar essa resenha sendo bem sincera: distopias nunca estão no topo das minhas intermináveis listas de leituras. Por mais comum que o tema seja nas rodinhas de leitura da maioria das pessoas da minha idade, eu nunca presto muita atenção nos lançamentos do gênero e quase sempre fico a ver navios quando alguém começa a falar sobre a série X ou a trilogia Y. Com “Divergente” a história não foi muito diferente. Assim que foi lançada, a história passou tão batida por mim que eu só fui dar devida atenção à ela quando, por acaso, acabei assistindo ao trailer da adaptação cinematográfica do primeiro livro da trilogia assinada por Veronica Roth.

Sabe quando um trailer de deixa loucamente ansiosa para acampar na porta do cinema e assistir logo aquela produção? Divergente me deixou exatamente desse jeito (e o fato de ter a musa Kate Winslet no elenco só contribuiu para a minha paixão instantânea). No mesmo momento descobri que “Divergente” era o filme inspirado naquele livrinho que eu tanto esnobei há alguns meses atrás e o resultado não poderia ser outro: corri ensandecidamente atrás do meu exemplar e obviamente devorei cada pedacinho da história.

Sim, “Divergente” foi uma grata surpresa. Não só pela história envolvente, mas pela maneira que o livro fez com que eu finalmente abrisse meus olhos para as distopias e finalmente as colocasse como prioridade nas minhas listinhas (a principal é obviamente “Jogos Vorazes”, que aliás, eu tive o “desplante” de praticamente venerar os dois filmes já lançados sem ter lido uma linha sequer dos livros #shameonme).

Para quem vivia no mesmo planeta que eu, “Divergente” se passa numa Chicago futurista onde a humanidade numa tentativa de acabar com as guerras se dividiu em cinco facções (Amizade, Erudição, Franqueza, Abnegação e Audácia) que obrigam cada um a seguir regras e cumprir tarefas que estejam completamente relacionadas a sua principal qualidade.

“Os que culpavam a agressividade formaram a Amizade. Os que culpavam a ignorância se tornaram a Erudição. Os que culpavam a duplicidade fundaram a Franqueza. Os que culpavam o egoísmo formaram a Abnegação. E os que culpavam a covardia formaram a Audácia

Todos os anos os jovens que completam 16 anos precisam passar por uma espécie de teste, onde eles têm a chance de descobrir em qual facção se encaixam mais e se pretendem continuar naquela em que nasceram ou mudar para outra e recomeçarem suas vidas longe da família. A protagonista da história, Tris e o seu irmão Caleb estão prestes a realizarem o tal teste, mas o fato é que Tris que pertence a Abnegação (a facção mais “sem graça” no ponto de vista das outras), se sente um completo peixe fora d’água e tem certeza absoluta que o seu teste comprovará que ela não tem vocação alguma para abnegada.

O que ela não esperava era que muito além da missão de ter que abandonar os pais por simplesmente não pertencer ao grupo dos altruístas, ela teria que enfrentar outro grande problema: seu teste acaba sendo inconclusivo e ao invés de se encaixar numa facção, Tris demonstra possuir características que a definem como possível membro de vários grupos. Essas pessoas são chamadas Divergentes e são consideradas uma grande ameaça ao sistema, já que conseguem pensar e agir de uma maneira completamente “diferente” das outras pessoas.

“O altruísmo e a coragem não são tão diferentes assim”

Logicamente, Tris precisa se proteger e além de não revelar a ninguém o verdadeiro resultado do teste, opta por deixar a Abnegação e entrar para a Audácia a facção que ela sempre admirou e que o seu pai sempre criticou. Como o próprio nome diz, os membros da Audácia são corajosos e vivem no limite do perigo, além de terem a missão de manter a cidade protegida de qualquer ameaça e dos chamados “sem facção” que são aqueles que por algum motivo acabaram deixando seus grupos e por conta disso vivem como mendigos.

Escolhida a facção, os jovens precisam passar por uma “iniciação” que de certa forma reafirma a escolha e é completamente diferente em cada um dos grupos. Na Audácia, os jovens passam por uma série de treinamentos “militares” e além de ter que conviver com essa nova realidade, Tris precisa manter o seu segredo a salvo e lidar com algumas ameaças como o também iniciado Peter e o líder da facção, o inescrupuloso Eric.

A razão humana é capaz de justificar qualquer mal; é por isso que não devemos depender dela”

A partir daí toda a história do primeiro volume se desenrola. A narrativa de Veronica Roth é tão fluída e gostosa de acompanhar que você termina o livro com a sensação de que só havia chegado a página 50. A protagonista também é um comentário a parte. Nada de mocinhas chatas e donas da verdade. Tris tem seus princípios é claro, mas é ágil, esperta e obviamente audaciosa. Sem contar que o seu romance com Quatro, um dos mentores dos iniciados (<3), é construído de maneira natural, sem muito mimimi e com diálogos inteligentes que apesar de passarem longe da melação não deixam de serem românticos.

Quatro, aliás é misterioso, durão e excelente para demonstrar o quanto os personagens de “Divergente” são bem construídos. Mesmo que ainda não saibamos muito sobre alguns, é impossível não sentir uma onda de sentimentos por cada um deles. Seja desprezo ou identificação. Todos eles tem suas características extremamente definidas e personalidades muito bem construídas.

Eu poderia fazer um texto de muitas páginas sobre esse livro. “Divergente” é ação, romance, suspense e mais um milhão de características que explicam a verdadeira onda de sucesso que essa história se tornou. Por mais adolescente e inverosímel que a história pareça, o texto de de Veronica Roth arruína qualquer questionamento inicial e como toda distopia traz a tona algumas críticas politicas e filosóficas que desenham muito bem a sociedade em que vivemos.

O meu conselho é que se você gosta de distopias fique pronto para se apaixonar por mais uma delas, e se você assim como eu não costuma dar muitas chances para livros do gênero, mude um pouco de opinião e se renda a “Divergente”!

Os livros da trilogia:
1 – “Divergente”
2 – “Insurgente”
3 – “Convergente”